Lei seca aumenta o consumo de vinho em residências

 

Marcela Sanguini

Redação 05

 

Para aqueles que pensavam que, com a lei seca, o consumo de bebidas alcoólicas diminuiria, e até abalaria o comércio e importação de bebidas, enganam-se! Apesar da diminuição do movimento em bares, restaurantes e casas noturnas, tornou-se comum o consumo de vinho nas residências. Parece que os brasileiros têm mesmo habilidade para se adaptar as novas regras.

Enquanto uns optaram por rodízio, ao definir quem fica sem beber para dirigir, outros reúnem-se em casa de amigos e tomam vinho. Assim, deixam de lado a preocupação com a segurança e as atuais leis de trânsito.

Para Ivana Marquezinni, proprietária da Divinus – Bebidas Importadas, o costume de confraternização com vinho, é antigo. “Acreditávamos que, mesmo com a mudança da lei, as pessoas não ficariam sem consumir bebidas alcoólicas, principalmente o vinho. Se analisarmos a origem dessa bebida, veremos que ela sempre esteve presente em todos os tipos de reuniões”, ressalta.

No mercado há oito anos, Ivana não se lembra de alarmantes quedas no comércio de vinho. Segundo ela, mesmo quando o dólar estava em alta, o brasileiro descobriu o vinho nacional e o consumo foi praticamente o mesmo. “O que mudou nesses quase quatro meses, é que agora o brasileiro tem consumido a bebida em sua própria residência. Diariamente, noto um grande aumento de reuniões entre amigos e familiares”.

No Brasil, existe o forte hábito de se consumir vinho tinto no inverno e vinhos frizantes no verão, já que estes são servidos gelados. Espera-se que para a próxima estação, além do tradicional vinho, também aumente o consumo dos champanhes e dos prossecos. Ivana confessa que tem o costume de alertar e dar dicas a seus clientes sobre os melhores vinhos e a melhor forma de consumo. “Muitos dos meus clientes freqüentam a importadora com a intenção de comprar vinhos para consumir em casa. Por isso, acho importante dar dicas quanto ao melhor vinho a ser consumido. Combinar a bebida com os petiscos é essencial para uma boa reunião”, frisa. A comerciante alerta que essa é a melhor época para lotar o estoque de vinho, “já que o tempo influencia na qualidade e sabor dessa bebida”, afirma.

O consumo do vinho na própria residência pode ser aconchegante, mas exige cuidados, principalmente se estocados. A temperatura do local e posicionamento da garrafa são fatores decisivos para a conservação da bebida.

As dicas são guardar a garrafa inclinada na horizontal, para manter a rolha úmida e precipitar os depósitos no fundo da garrafa; guardar as garrafas longe da luz solar e em temperatura ambiente. É importante também considerar a ordem correta para se guardar os vinhos na adega: os vinhos mais envelhecidos ficam sempre na parte superior, com temperatura mais alta; os vinhos mais jovens, na parte inferior, onde se prevalece a temperatura mais baixa.

 

 

 

Lei seca é uma das mais rígidas do mundo

 

 

Em 19 de junho de 2008 foi aprovada a Lei 11.705, modificando o Código de Trânsito Brasileiro. Apelidada de “lei seca”, proíbe o consumo da quantidade de bebida alcóolica superior a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro (ou 2 dg de álcool por litro de sangue) por condutores de veículos. O condutor transgressor fica sujeito à pena de multa, à suspensão da carteira de habilitação por 12 meses e até à pena de detenção, dependendo da concentração de álcool por litro de sangue. Apesar de não ser permitida nenhuma concentração de álcool, existem valores fixos, prevendo casos excepcionais, tais como medicamentos à base de álcool e erro do aparelho que faz o teste. A concentração permitida no Brasil é de 0,2 g de álcool por litro de sangue, ou, 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido no exame do bafômetro.

Quem for pego dirigindo depois de beber, além da multa de R$ 955, vai perder a carteira de motorista por 12 meses. O motorista que se recusar a fazer exames de bafômetros e de coleta de sangue para verificar a quantidade de álcool consumido, estará sujeito às penalidades do artigo 165, do CTB.

A partir de seis decigramas por litro (dois chopes), a punição será acrescida de prisão. A pena de seis meses a três anos é afiançável (de R$ 300 a R$ 1.200, em média, mas depende do entendimento do delegado). Em países vizinhos ao Brasil, como Argentina, Venezuela e Uruguai, o limite legal de concentração de álcool no sangue varia de cinco decigramas (dg) por litro a oito dg/l. Na Europa, países como Alemanha, França, Espanha e Itália têm limites de cinco dg por litro, acima do brasileiro.

Para os apreciadores dos mais antigos vinhos e comerciantes de vinícolas, a lei gerou déficit no comércio. Porém, no que diz respeito à segurança, antes da lei seca, as estradas brasileiras tinham registrado um aumento de 10,9% nos acidentes neste ano. Após o dia 20 de junho, o crescimento foi de apenas 2,84%. Desde o início da lei seca, a Polícia Rodoviária Federal autuou 819 motoristas que dirigiam alcoolizados e prendeu outros 449.

 

 

Origem do vinho teve início na Geórgia

 

 

As evidências arqueológicas sugerem que a mais antiga produção e consumo de vinho teve lugar em vários locais da Geórgia e Irão, entre 6.000 e 5.000 a.C. Crê-se que o seu aparecimento na Europa ocorreu há aproximadamente 6.500 anos, nas actuais Bulgária ou Grécia e também era muito comum na Roma antiga. O vinho tem desempenhado um papel importante em várias religiões desde tempos antigos.

Muitas das principais regiões vinhateiras da Europa Ocidental atual foram estabelecidas pelos romanos. A tecnologia de fabrico do vinho melhorou consideravelmente durante o tempo do Império Romano. Eram então conhecidas muitas variedades de uvas e de técnicas de cultivo, e foram criados os barris para a armazenagem e transporte do vinho.

Desde o tempo dos romanos, pensava-se que o vinho (eventualmente misturado com ervas e minerais) tivesse também propriedades medicinais. Nesses tempos, não era invulgar dissolverem-se pérolas no vinho para conseguir mais saúde.

Durante a Idade Média, a Igreja Cristã era uma firme apoiante do vinho, o qual era necessário para a celebração da missa católica. O vinho era proibido pelo Islão, mas após os primeiros avanços de químicos que faziam a destilação do vinho, este passou a ter outros usos, incluindo cosméticos e medicinais.

Os vinhos são obtidos por meio da fermentação do suco de uvas frescas. A fermentação é um processo bioquímico realizado por microorganismos (leveduras) que convertem os carboidratos (açúcares) em álcool, gás carbônico e energia. Quanto mais doce for a uva, maior será a concentração de álcool.

Com a criação da lei seca, vinícolas brasileiras alegam prejuízo. Alguns produtores responsabilizam a diminuição da procura pelo produto em função da lei, pois afeta o comércio, já que é difícil receber a visita de um turista, mostrar o trabalho, sem poder lhe dar a chance de degustá-lo.

 

 

 

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