Heterossexuais invadem noite GLS de Campinas

Tahiana Carnielli

    Redação 1

 

O aumento do número de heterossexuais que freqüentam casas noturnas voltadas para o público gay em Campinas tem se tornado cada vez maior. Mas há razão para este comportamento, chamado pelos homossexuais de “invasão hetero”. Até a parada do orgulho gay na cidade, este ano teve a participação de aproximadamente 60 mil pessoas, em grande parte casais hetero com filhos e simpatizantes.

Não é nada raro ouvir um heterossexual dizer que nunca se divertiu tanto como em uma balada homossexual. Mas, o que tanto atrai esse público para um território que “não é dele”? Segundo a Psicóloga Viviane Chaves, o ambiente é muito mais divertido, as pessoas são mais extravagantes, interessantes e há presença de personalidades. O gay se deixa levar pelo som, pela luz, e vive com maior intensidade aquele momento que a música está tocando. O tratamento da equipe que trabalha na casa é mais intimista e próxima dos convidados.

Segundo R.A, sócio-proprietário do Livre Bar, que não se identificou por motivos contratuais, um dos motivos para a presença de não-gays em sua casa é o fato de que a sociedade parece estar superando aos poucos seu preconceito sobre o universo GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros). “Há alguns anos o público era estritamente gay e os heteros pareciam sentir vergonha de pisar numa boate gay. Pelo que vejo, hoje as pessoas pensam duas vezes antes de julgar. Além disso, as boates não são mais freqüentadas pela preferência sexual, mas principalmente por um ambiente agradável, com boa música, receptividade e gente bonita”.

As festas de boates GLBT da cidade como o Double Face, Kraft, Lounge e Deluxe atraem o público heterossexual por serem mais exóticas. Segundo a estudante de farmácia Alessandra Prado, 22 é uma ótima opção. “Baladas ‘gays’ são a melhor alternativa para quem está cansado das casas noturnas convencionais”. Alessandra, que freqüenta o Livre Bar semanalmente diz que nunca sofreu preconceito por não ser homossexual e garante que esta é uma das casas mais bem freqüentadas em toda a região.

Normalmente a música escolhida para embalar a noite nestas casas é o dance eletrônico, próximo do que toca nas demais boates de Campinas. Outro fator que agrada ao público que freqüenta a noite gay é o valor das entradas: entre R$10,00 e R$30,00.

Para o comerciante e homossexual R.A.M, 19 anos, que também preferiu não se identificar, existe uma importante diferença entre o ambiente das boates gays e heterossexuais. “Você nunca vai ter alguém te enchendo, em cima, te pressionando para te beijar, ou arrumando brigas. Nas baladas ‘normais’ isso é super comum”, explica.

 

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