Solteiros: o novo filão da indústria alimentícia

Mariana Kfouri

Redação 02

O número de pessoas solteiras e que moram sozinhas vem crescendo no Brasil. Diante disto, nasce um novo perfil de consumidor e para atendê-los muitas empresas, principalmente as alimentícias, se adaptaram. Assim, é cada vez mais comum encontrar nas prateleiras dos supermercados produtos especiais para quem vive só.

De acordo com levantamento demográfico feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hoje, o número de pessoas morando sozinhas, no Brasil, já ultrapassou 6 milhões, o que corresponde a 11,1% do total de nossa população.

De olho no novo filão do mercado e para atender suas necessidades os mercados já trabalham com marcas que oferecem embalagens individuais, com produtos acondicionados em menores quantidades e confeccionados com materiais que ajudam a conservar os alimentos, aumentando seu prazo de validade.

Esta nova tendência, que além de facilitar a vida daqueles que moram sozinhos, têm como objetivo evitar o desperdício de alimento, é o que revela Wesley Rodrigues, gerente do supermercado Dalben de Campinas. Wesley conta que os produtos em embalagens individuais são consumidos principalmente por jovens estudantes, não apenas por serem mais práticos, mas também porque os jovens de hoje tem consciência e se preocupam com o desperdício.

No entanto, contribuir com o não desperdício e ter em mãos alimentos prontos para serem consumidos encarece o produto. Em vista disto, as respostas se divergem quando a pergunta é: qual o primeiro pensamento na hora da compra?

Juliana Melhado veio morar em Campinas após entrar na faculdade. Ela divide apartamento com uma amiga e quando vai ao supermercado garante que o seu primeiro pensamento é o desperdício. “Eu tenho pavor de jogar comida fora. Sempre que venho ao mercado procuro conciliar preço e quantidade. Se consigo, ótimo. Caso contrário, não compro a mais só por causa do preço”.

Já o estudante Fernando Guido afirma que o bolso pesa na hora de escolher o que comprar. Para ele, a questão econômica é seu primeiro pensamento na hora de encher o carrinho. “Prefiro os alimentos mais baratos e em maior quantidade”. Apesar disso, o jovem, que mora sozinho, garante que consegue consumir tudo o que compra.

Entre os produtos mais consumidos, estão os congelados, legumes, frutas e verduras já em porções individuais e prontas para serem consumidas, frios e danones.

O consumo de tais produtos faz parte de uma tendência mundial e o Brasil, aos poucos, vêm ganhando espaço neste novo perfil de mercado, tanto na oferta, quanto na procura, relata o professor de economia da PUC-Campinas, Cândido Filho.

O corretor de imóveis, Rodrigo de Melo, diz que conciliar a correria do dia-a-dia e ainda ter que se preocupar com os afazeres domésticos não é fácil, principalmente para aqueles que não têm com que dividir as tarefas de casa: “Chegar em casa e ainda ter que pensar no que vou fazer para comer, desanima, ainda mais no meu caso:  sou péssimo na cozinha”.  Diante disso, Rodrigo revela que a falta de dotes culinários junto com sua rotina agitada fazem com que a praticidade decida por ele na hora de comprar o produto que vai consumir.

Felipe de Mello mora com a namorada. O casal costuma ir às compras juntos e na hora de escolher o que tirar da prateleira, quem manda é o preço. Eles também se preocupam com a qualidade do produto. E quando a pergunta é o desperdício, falam que procuram evitá-lo.

Roberto Ribeiro é um jovem estudante e mora a pouco tempo sozinho. Na hora da compra tem preferência pelas pequenas embalagens, porém, ele não nega a questão do desperdício. “Já que o desperdício existe, é bom evitá-lo. Por isso dou preferência às pequenas quantidades”, afirma.

O valor unitário dos produtos individuas é mais caro, porém para um sujeito que mora sozinho vale a pena pagar um pouco mais, uma vez que ele evita o desperdício. “É preciso ter consciência de que a pessoa que compra mais do que o necessário e joga comida fora, está jogando no lixo parte de seu dinheiro também”, concluir mais uma vez professor de economia.

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