População unida tenta recuperar o rio Jacaré

Lia Cassano de Castro

Redação 06

15 anos. Esse foi o tempo necessário para a falta de tratamento de esgoto e o excesso de efluentes industriais lançados no ribeirão Jacaré, em Itatiba, 70 km de São Paulo, transformá-lo em um rio poluído e morto. Contudo, 1 ano de união da população começou a surtir efeito.

Nos anos 60, ele era cenário de festas, mas hoje, a poluição de suas águas o deixou inútil. Um dos motivos é que indústrias passaram a lançar resíduos direto no rio, pois o coletor implantado pela Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, exige um índice mínimo de qualidade para a captação.

Quando o problema se evidenciou, itatibenses procuraram órgãos fiscalizadores, inclusive a Sabesp, mas as promessas de melhora nunca aconteceram. “O ribeirão abasteceria a cidade, mas a negligência não permite mudanças. Do jeito que está, causa males à população. A briga é de todos”, alerta Valdir Nardi, da Defesa Civil de Itatiba.

Por isso, os moradores criaram o Jappa – Jacaré Associação Para a Preservação Ambiental –, visando ações de conscientização ambiental, como o Jappa Tour, a fiscalização de saneamento e de qualidade de água e a identificação de tubos irregulares. Com 1 ano de atividades, o Jappa já conta com 1500 membros.

Para Edson Guidi, presidente da associação, o maior sucesso é o Jappa Tour, passeio de 3 horas da nascente aos pontos mais poluídos. “Com excursões periódicas, com escolas e empresários, mostramos onde a linda nascente se transforma em calamidade”, explica.

Durante o passeio, constata-se também a identificação de tubos irregulares. Através da fixação do nome na respectiva tubulação, mostra-se qual a proprietária de cada cano, responsabilizando-a pelo prejuízo.

Guidi afirma que isso ajudaria a fiscalização da CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental -, o que não vem acontecendo, já que a vistoria é avisada, fazendo as empresas não utilizarem os tubos naquele dia.

Ainda assim, a CETESB declarou que a qualidade da água no ponto de captação de Itatiba piorou em todos os indicadores de qualidade: baixou a concentração de oxigênio e aumentou a de fósforo, manganês, alumínio e de esgoto. Quando os moradores levaram o relatório à Sabesp, exigindo mudanças, ela declarou que o Jacaré desemboca depois do seu ponto de captação, não sendo de sua alçada. “Sabemos que ele desemboca antes e agora está acontecendo pior: a Sabesp também joga esgoto no rio”, diz Guidi.

A assessoria de imprensa da Sabesp informou que não tem responsabilidade pelo saneamento, mas pela distribuição da água, e não quis comentar os efluentes despejados pela empresa no Jacaré. “Quem já pôde ver peixinhos no rio fica triste com a inação dos competentes”, diz Carlos André Matos, garantindo pescar na nascente do Jacaré, em águas limpas.

As ações começaram a surtir efeito este ano, já que os candidatos à prefeitura têm prometido a limpeza do ribeirão; além das parcerias que surgem para patrocinar projetos e levá-los ao Ministério Público.

Guidi adianta que, em novembro, será feita uma reunião nas margens do Jacaré com os candidatos eleitos para que, com o cenário ali presente, sejam discutidas as promessas de campanha.

No Jappa, cada um ajuda da sua forma e o jingle de Carlos Magno Borella é usado na divulgação da causa: “Vi um peixe colorido no rio Jacaré, era tinta de tecido, morreu no meu pé”.

 

3 pensamentos sobre “População unida tenta recuperar o rio Jacaré

  1. Prezados Amigos,
    Quantas lembranças do Rio Jacaré!, morei por 28 anos, na Av. Expedicionários nº 90, naquele sobrado amarelo de janelas verdes, hoje Tombado pelo Patrimônio HIstório (ainda bem!) onde no quintal, compartilhado com as outras casas, brinquei muuuiittooo, bem como “nadei” no Rio Jacaré!, lembro-me que na beira do Rio havia um pé de amora e nós, eu, minha irmã Rosangela e os nossos vizinhos, nos pendurávamos na árvore e nos jogávamos rio à dentro…..ah! minha infância querida. Lembro-me de uma enchente do Rio Jacaré -“foi uma tromba d’água”, minha mãe não queria sair de casa de forma alguma. E como embaixo da minha casa funcionava um Bar, lembro-me de ter visto muitos chocolates boiando casa à dentro. Tempo…tempo…tempo, um tempo já sem tempo.
    Ô saudades danada que me deu agora! Uma vez eu bati uma foto do sobrado e minha irmã, Ana Maria, pintou-o. É uma grande recordação da gente.
    Abraços.
    Rosa Vaz

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