Automedicação: um perigo á saúde

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), metade da população mundial tomou remédios sem prescrição médica em 2004.

Dizem que todo brasileiro entende um pouco de futebol e medicina. Escalar um time de futebol não faz mal, mas se automedicar, sim. Quem nunca tomou um remédio, sem prescrição, após uma dor de cabeça ou febre? A automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas, pode trazer conseqüências mais graves do que se imagina.

Em países onde a estrutura da saúde pública é precária, a ida à farmácia representa a primeira opção procurada para resolver um problema, e a maior parte dos medicamentos consumidos pela população é vendida sem receita médica. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), metade da população mundial tomou remédios sem prescrição médica em 2004.

A médica generalista Luciana Silveira acredita que um dos motivos para as pessoas ingerirem medicamentos sem consultar um especialista é a ansiedade de resolver o problema da maneira mais rápida. “Outro motivo é a situação do serviço de saúde no país. Muitos pacientes não conseguem ser atendido nos hospitais, por isso tentam se curar com o que está ao alcance: a farmácia”, explicou.

O fator cultural também incentiva a prática da automedicação. “A vizinha diz que tomou um xarope e resolveu o problema, a pessoa vai lá e toma a mesma coisa”, disse a farmacêutica Fernanda Andrade. “Não dá para as pessoas se basearem na medicação que o conhecido, o vizinho ou um parente toma, porque cada um tem uma sensibilidade”, completou.

Tomar remédio sem prescrição pode trazer danos sérios à saúde. De acordo com Luciana, o maior risco é “mascarar a doença”. “Quando a pessoa resolve ir ao médico, o problema já está em estado avançado, situação que faz o médico tomar atitudes mais agressivas, como receitar remédios fortes”, falou a médica.

Além desses riscos, os remédios podem causar intoxicação e alergias. Pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) revela que as intoxicações por remédio  cresceram 30% de 2005 para 2006. No Brasil, foram 32.884 casos diagnosticados, uma média de três ocorrências por hora. O Estado de São Paulo lidera a lista, com 41% dos casos.

No Brasil, embora haja regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para a venda e propaganda de medicamentos que possam ser adquiridos sem prescrição médica, não há orientação para aqueles que os utilizam. Para Fernanda, as propagandas veiculadas na mídia incentivam a compra sem prescrição, tanto que os remédios mais vendidos são analgésicos e antiinflamatórios.

Vale ressaltar que quando as pessoas vão à farmácia comprar remédios sem prescrição, os farmacêuticos indicam somente os medicamentos com venda liberada sem receita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): “Comprar remédios de tarja preta sem receita é praticamente impossível” diz Fernanda.

Outro fato comum é que muitos pacientes vão à farmácia com o remédio indicado pelo médico, mas, quando o preço do medicamento é alto, optam pela compra de similares. Se a pessoa tiver necessidade de comprar um medicamento mais barato, deve escolher os genéricos, de acordo com a clínico-geral Luciana. “Os similares não têm tanta fiscalização e controle de qualidade quanto os genéricos”, disse.

 

Mais sobre o assunto

https://redatoronline.wordpress.com/2008/11/10/uso-de-remedios-sem-controle-causa-perda-de-audicao/

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