Incentivo em falta

Esportes com pouca exposição na mídia têm dificuldade para conseguir patrocínio

Por Fernanda Marion

A dificuldade de conseguir patrocínio é uma realidade para os atletas de esportes como o karatê. As despesas de um campeonato incluem inscrição, transporte, alimentação e, em alguns casos, hospedagem, e podem chegar até R$ 1000,00 em uma competição nacional. Já os gastos de uma competição na América do Sul chegam a uma média de R$1500,00 e em outros continentes os atletas gastam cerca de 8 mil reais. 

O fato de não ser tão popular quanto o futebol, torna difícil conseguir patrocínio no karatê. Mas não é só isso, esporte e empresa têm que estar em sintonia. Quando o atleta for procurar as empresas, ele deve levar em conta o público do seu esporte, a exposição que tem na mídia, os eventos que participa e também mostrar o que ele pode oferecer, além de conhecer o perfil e os objetivos da empresa. Isso pode diminuir as chances de escutar um ‘não’. Apesar disso tudo, as empresas procuram sempre a visibilidade e a exposição na mídia é determinante para a decisão se vai ou não patrocinar o atleta. 

“Nunca tive patrocínio”, conta a karateca Lígia Ribeiro. “Cheguei a tentar em algumas empresas, mas nenhuma retornou ou não ofereceu a quantia que pudesse pagar a viagem. Todas disseram que infelizmente não poderiam oferecer quantia maior, apenas a taxa de embarque/desembarque”, completa. Mesmo sem a ajuda financeira, a atleta compete quase todo final de semana e também participa de seletivas para campeonatos sulamericanos, brasileiro e paulista. Ela conta que consegue participar das competições sem ter patrocínio, mas que se tivesse seria mais fácil de ir não só para outros estados, mas também para o exterior. “Nós ficamos restritos a região de São Paulo, pois não temos dinheiro para viajar para outros estados. A taxa de inscrição, condução, tudo isso pesa muito”, diz. 

No dia 21 de agosto, Lígia participou do Campeonato Paulista e se classificou para o Campeonato Brasileiro. Mesmo sem ajuda financeira, ela vai representar São Paulo na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, entre os dias 16 e 18 de outubro. Afinal, ela diz, “ânimo a gente aprende a não perder”.

VÍDEO

Uma academia de karatê de Campinas tem na equipe alguns atletas que estão constantemente competindo e que fazem parte das seleções Paulista e Brasileira do esporte, mas que ainda assim não são patrocinados. Assista ao vídeo.

Obs: Vídeo gravado com camêra digital Samsung Techwin (8.2mp)

ÁUDIO

Experiência e títulos dos atletas são afetados com a falta de patrocínio 

Willians e Amanda Quirino são karatecas. Ela é atleta das seleções de Santos e da paulista e ele, da seleção de São Caetano e da brasileira. Os dois recebem salários das cidades que representam e Willians ainda recebe o Bolsa-Atleta do Governo Federal, mas ainda assim eles têm que dar um jeito para bancar todas as viagens e para isso mantêm uma academia de personal trainer e de karatê em Jundiaí para completar a renda.

A dificuldade de conseguir patrocínio para competir no exterior acaba refletida na experiência e nas conquistas que os atletas trazem para o país. O esquema profissional de países como Itália e Venezuela é o exemplo que eles têm de como o Brasil poderia incentivar o esporte. Confira o áudio do depoimento de Willians e Amanda.

Depoimento dos karatecas Willians e Amanda Quirino

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