Terapia das oficinas

Oficinas de trabalho do Cândido Ferreira trazem reinserção social a usuários

Por Ana Gabriela Pinesso

 

Usuários

Seguindo a linha da reforma antimanicomial, oficinas de trabalho do serviço de saúde Cândido Ferreira porporcionam reinserção social e geração de renda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As oficinas de trabalho e geração de renda do serviço de saúde Cândido Ferreira que visam a reinserção social dos usuários, têm hoje, 290 pessoas trabalhando em 13 oficinas, e uma fila de espera de mais de 100 pessoas, segundo a gerente de projeto do NOT (Núcleo das Oficinas de Trabalho ), Cleusa Cayres.

O tamanho da fila de espera mostra que a reforma Antimanicomial, sancionada como lei desde 2001, é um caminho certo no Brasil, mas que ainda caminha com passos lentos, já que as iniciativas são insuficientes para atender a demanda. “Nós temos uma lista de espera muito grande. Tem mais de 100 pessoas aguardando uma vaga, para participar de uma oficina e  têm poucas pessoas que saem do projeto. Seria de grande importância ter outros serviços que tivessem a mesma missão que a gente tem aqui, de oferecer centros de trabalho, de convivência, lugares onde as pessoas pudessem ser acolhidas, estarem mais participativas da vida na comunidade”, diz Cleusa.

Desde de 1993, o Serviço de Saúde Cândido Ferreira, acatando a reforma antimanicomial, tem como principal objetivo a desospitalização, a participação social dos usuários e o respeito ao direito à convivência dos diferentes.
Uma visita ao Cândido deixa claro que ali não é um hospital: não existem muros, todos podem entrar e sair quando desejarem.

Atualmente, funcionam 13 oficinas no Cândido, que além de trazer geração de renda e reinserção social, também busca a consciência ambiental trabalhando com produtos recicláveis.

Os usuários escolhem entre as 13 oficians que desejam trabalhar: papel reciclável, marcenaria, vitral , mosaico e outras. O trabalho é como em uma  linha de produção, cada usuário desempenha uma parte do processo de produção, e cada oficina conta com um coordenador e um monitor.

Cleusa  diz que as oficinas surgiram devido a demanda das pessoas que estavam no hospital por atividades produtivas. “Hoje, as pessoas são o que elas fazem. Eu acho que uma pessoa que não tem nenhuma atividade de trabalho, fica excluída do meio social, ela (a atividade de trabalho)estimula o pertencer à sociedade, valoriza a pessoa enquanto um ser produtivo, melhora a auto-estima, acho que existem muitos fatores aí produtivos.”
Além dos benefícios terapêuticos, as oficinas são uma forma de geração de renda. “Cada oficina tem sua produção, que gera um caixa.O resultado das vendas vai gerar um ‘bolsa oficina‘ que é a renda que os oficineiros recebem e que eles administram junto com a família.”

O usuário

Hilbelbrando, usuário da oficina de papel em entrevista

Hilbelbrando, usuário da oficina de papel em entrevista

Hilbelbrando dos Santos participa da oficina de papel reciclado há dois anos “Além de ser um processo terapêutico, aqui eu faço amigos, aprendo como a lidar com reciclagem.Eu gosto muito da onde eu trabalho, acho que distrai e é muito bom”
Ele escolheu a oficina devido à consciência ecológica do processo: “Saem coisas bonitas (da reciclagem), como flores, e é muito importante para o meio ambiente.É muito melhor reciclar qualquer coisa, do que coisas que a gente joga e demora muito tempo para se deteriorar.É válido reciclar qualquer produto, por que a gente vai ter um retorno bom para a natureza e para o homem.”

Ainda falta muito…

Cleusa acha que existem poucas oportunidades aos doentes. Apesar de completar 22 anos em dezembro, luta pela extinção dos manicômios ainda é um processo para familiares, trabalhadores e usuários desse sistema de saúde
“ Hoje, pensando em um projeto, como o nosso, de oficina de trabalho e geração de renda, nós temos uma lista de espera muito grande. Tem mais de 100 pessoas aguardando uma vaga, para participar de uma oficina e  têm poucas pessoas que saem do projeto. Seria de grande importância ter outros serviços que tivessem a mesma missão que a gente tem aqui, de oferecer centros de trabalho, de convivência, lugares onde as pessoas pudessem ser acolhidas…estarem mais participativas da vida na comunidade. ”

Parágrafo único: histórico

1987 é o ano do início da luta antimanicomial no Brasil, quando cerca de 350 trabalhadores da saúde mental, que participavam de um congresso em Bauru, interior de São Paulo, no mês de dezembro, organizaram uma manifesto por uma sociedade sem manicômios. Porém, só em 4 de junho de 2001, o então presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei 10.216 que estabelecia a reforma psiquiátrica no Brasil, excluindo a internação como forma sistemática de tratamento, e buscando a reinserção social. Saiba
Lei da Reforma Psiquiátrica

Apêndice

Austregésilo Carrano Bueno (1957 -2008) foi um dos principais integrante do movimento antimanicomial. Carrano escreveu um livro narrando sua experiência em internações em manicômios na década de 70. O livro , Canto dos Malditos acabou sendo adaptado para o cinema pela diretora Laís Bondanzky. Intitulado “Bicho de Sete Cabeças ”

Para ler


sobre Carrano

Canto dos Malditos, de  Austregésilo Carrano Bueno. Editora Rocco

Trailer do filme Bicho de Sete Cabeças

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