Há quarenta anos…

O álbum Abbey Road marcava o fim de uma era, o fim de um fenômeno, o fim de um sonho; músicos comentam o histórico disco dos Beatles

Por Caio Rizk

Quem nunca se lembrou de um grande amor após ouvir um trecho de Something? Ou cantarolou o refrão de Come Together (Come Together/ Right Now/ Over me)? Ou até mesmo andou por uma faixa de pedestres e se lembrou da mais clássica capa de álbum do rock internacional? Todas essas referencias compõem o álbum Abbey Road, dos Beatles, que em 2009 comemora 40 anos de existência. Mas o que tem de tão especial nesse álbum? Bom, para muitos críticos, Abbey Road supera em qualidade outro clássico do quarteto: Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band (1967).  

Lançado em 26 de setembro de 69, o disco foi gravado em um momento de altos conflitos entre os integrantes e que culminaria com a separação da banda no final de 69. Abbey Road é o nome do estúdio de gravação onde foram produzidos todos os álbuns dos Beatles. O nome do disco foi uma homenagem dos músicos ao estúdio.

A capa  

A famosa travessia dos Beatles na esquina de Abbey Road

Aparentemente simples, a foto tirada pelo fotógrafo Ian Macmillian em 8 de agosto de 1969 é recheada de mensagens sublimares que ainda intrigam fãs e críticos. Para aqueles que gostam de lendas, os quatro passeando sob a faixa de pedestres de uma rua perto do estúdio de gravação, representa a banda indo em direção ao funeral hipotético do baixista Paul McCartney, que dois anos antes foi alvo de manchetes que relatavam sua morte em um acidente de carro. A roupa dos músicos gerou, também, desconfiança por parte do público.  

Da direita para a esquerda, John Lennon, todo de branco, representa o padre. Ringo Starr, de terno preto, seria o organizador do funeral. A pista maior fica com Paul McCartney. Descalço, com a roupa desgrenhada, andando diferente dos demais e, o principal, o cigarro na mão direita (o músico é canhoto). Por fim, George Harrison vestido como se fosse o coveiro. Toda essa mística que cerca o álbum ajudou Abbey Road a ser o disco mais vendido da banda.

Pedro tem o sonho de ter uma banda cover dos Beatles

Pedro Henrique Nunes, 19 anos, é fã dos Beatles. Toca guitarra, baixo e gosta de dizer que “arranha” no piano. Seu sonho é ter uma banda cover. Abbey Road, para ele, é a terceira fase do grupo e comprova que o quarteto não tinha um estilo definido.

“Quando comecei a ouvir o álbum, demorei pra gostar e me acostumar. Mas isso foi só o meu caso, não quer dizer que seja assim com todo mundo. Uma coisa que me chamou atenção, por ser guitarrista, é que todas as faixas praticamente são recheadas de solos de guitarra, algo que faltou durante a segunda fase da banda”

Para Pedro, do ponto de vista técnico, Abbey Road é o álbum mais perfeito da banda e, de um total de 17 faixas, escolheu e comentou as suas preferidas: 

1- You never give me your money: Essa música é calma, agitada, bonita e pesada ao mesmo tempo. Todos os instrumentos dessa música são muito bem elaborados, inclusive os vocais. Aquele coro cantado no final: “one, two, three, four, five, six, seven, all good children go to heaven” sempre me faz pensar “Nossa, que foda!” Enfim, tudo nessa música é bom.

2- The End: Um aspecto que contribui para que ela seja uma das minhas favoritas, não só desse álbum, como dos Beatles em geral, é o fato dela participar da sequência Golden Slumbers/Carry That Weight/The End, que, na minha opinião, é a melhor sequência de músicas de toda a História. Os solos de bateria e de guitarra são completamente Rock’n’roll, ao passo que o piano do final é algo suave e relaxante.

3- Because: A letra e a melodia são bonitas demais e toda a força vocal dos Beatles pode ser sintetizada nessa música. Quando tento cantá-la com alguns amigos, é praticamente impossível deixar tão afinado o quanto. Às vezes penso que, se já é tão difícil assim pra reproduzir, imagine pra compor uma música dessa?

4- Octopus’s Garden: Acho que essa é a mais “recheada” de guitarra, como disse antes. George Harrison ficou solando a música inteira, praticamente. Cada nota encaixa perfeitamente na hora exata e não dá pra imaginar outra voz guiando essa música se não a do Ringo (Starr).

5- Something: Não está perto de ser a minha preferida dos Beatles, mas ela merece muito reconhecimento. Primeiro, porque é a música mais bonita e profunda deles e, segundo, porque contem uma harmonia nada convencional, uma linha de baixo muito bem elaborada e o solo de guitarra de Harrison do qual eu mais tenho inveja.

Bruno em ensaio com o Led Zeppelin In Concert

Bruno Marques é baterista. Tem uma banda cover do Led Zeppelin, em que nada soa parecido com o som do quarteto de Liverpool. A pegada mais forte no baixo, guitarra, bateria e vocal de uma banda ímpar no cenário do rock mundial é o que mais atrai Bruno. Não apenas Led Zeppelin, mas a maioria das bandas de Heavy Metal – de clássicas bandas da década de 70 até o que há de mais moderno na Suécia, Noruega – compõem o seu “play list”. Sobre Beatles, o que conhece não é mais do que algumas músicas no MP3 e comentários em geral. Nunca se interessou a fundo pela banda, apesar de reconhecer os méritos do grupo. Escutou Abbey Road pela primeira vez e teve a reação espantosa que quase todos têm quando escutam o disco. 

“Quanta criatividade. Pelo que eu conheço de Beatles, jamais imaginei algo tão criativo. Ouvi sim coisas boas a respeito desse disco, mas nunca pensei que fosse tão incrível assim”. 

Das 17 faixas, Bruno selecionou as cinco que mais chamaram a sua atenção: 

1 – I Want You (She’s so Heavy) – “Começo, meio e fim tenebrosos, parece que foi composta em um dia frio e chuvoso. É uma musica 80 % instrumental, visto que só tem duas frases ao longo dos mais de sete minutos. O riff da guitarra é tocado insistentemente e acaba grudando na cabeça”. 

2 – Come Together – “A mais famosa do disco. Ao menos pra mim. A bateria de Ringo no começo é algo espetacular. Ele mostra toda sua criatividade nesse trecho. A linha de baixo nessa música é marcante também. Bem forte, dá uma sonoridade agressiva a canção” 

3- Because – “Aqui escuto uma harmonia musical perfeita. Quatro caras cantando sem erro. Li que a introdução da musica é “Sonata ao Luar” de Beethoven, sendo tocada de trás pra frente. Ou seja, mais uma prova de criatividade” 

4 – Oh Darling! “É um blues marcante esse, me parece renovado, cheio de contraste entre o começo suave até o refrão agressivo da música, bem diferente daqueles blues da década de 50” 

5 – Sun King/Mean Mr.Mustard/Polythene Pam/ She Came in Thought the Bathroom Window “As quatro músicas formam um sequência incrível. Na verdade, são músicas que não foram terminadas e que eles decidiram ligar uma nas outras. E dá certo. Uma seqüência repleta de harmonias musicais, solos de guitarra e uma bateria bem desenvolvida”

Um pensamento sobre “Há quarenta anos…

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