Craque do Spray

O artista Gustavo Bordin fala sobre o trabalho de grafite com jovens carentes

Amanda Zambelli
(mandinhazambelli@terra.com.br)

Gustavo em seu estúdio

O grafite é uma forma de expressão artística que frequentemente acaba sendo criticada pelas pessoas, que confundem essa atividade com a pichação e entendem a pintura de muros como vandalismo. No entanto, muitos grafiteiros de Campinas e região têm trabalhado duro para acabar com este estereótipo e mostrar que o grafite, além de tudo, é uma arte social.

O publicitário Gustavo Bordin, de 26 anos, é um desses artistas urbanos campineiros. Nenão, como é mais conhecido, teve seu primeiro contato com os sprays há 13 anos e desde então nunca parou. Ele começou a pintar nas ruas, através de pichações nos muros, mas aos poucos descobriu que a grafitagem é muito mais que isso e exige bastante estudo e dedicação.

Hoje, além da publicidade Gustavo ganha a vida também com atividades relacionadas ao grafite. Ele promove exposições, dá aulas de pintura, faz pintura de interiores e até mesmo possui patrocinadores que investem no seu trabalho.

Mas não é só isso. Atualmente sua grande paixão são as oficinas de grafite que ele oferece para jovens carentes. É sobre a experiência desse trabalho social como arte educador na periferia que ele conta a seguir.

Qual a diferença entre grafite e pichação?
G: O grafite veio da pichação, mas apesar disso são coisas completamente diferentes. A pichação visa muito mais o vandalismo e a adrenalina, enquanto o grafite é muito mais voltado para o lado das artes.

Qual a principal característica do grafite que o define como arte?
G: O que conta muito é essa questão das cores e da mensagem que o grafite transmite. É considerado arte pois é uma forma de expressão válida, uma ação juridicamente legal, e tem todo um estudo de técnicas e estilos por trás. Além disso, transmite um sentimento e uma mensagem como qualquer outra obra de arte.

É importante inserir o grafite em projetos sociais?
G: É muito importante, mas desde que o grafite não perca a sua essência. Por possuir uma linguagem mais simples e atual a grafitagem permite uma relação muito direta com os jovens. Nós trabalhamos com alguns projetos em escolas de periferia e instituições carentes e esses jovens criaram um compromisso muito bacana com o grafite, pois encontraram um jeito de se manifestarem e serem vistos pela sociedade.

Qual o papel de um arte educador?
G: Nosso papel é justamente criar oportunidades para esses jovens. O arte educador passa a ser visto como um referencial para eles, que acabam se inspirando em nós. Dessa forma as oficinas como um primeiro passo na busca por um talento ou na construção de um caráter artístico.

Como o grafite pode ajudar esses jovens carentes?
G: Através das oficinas de grafite os jovens têm a oportunidade de aprender as técnicas da grafitagem, desenvolver noções artísticas, criar novos olhares para o meio urbano em que estão inseridos e expressar suas idéias livremente, sem utilizar a pichação. E não é só o grafite em si que ajuda, mas a questão principal é dar uma atenção especial para os jovens e mostrar que eles tem um talento a ser aproveitado.

O que difere o grafite das artes convencionais?
G: O mais legal é que o grafite está na rua, pra todo mundo ver. Ele não precisa ser conhecido através de museus ou exposições porque a grafitagem participa do cotidiano das pessoas, e isso é fascinante.

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