Abri uma porta que até então não estava lá. De repente caí.

 

Alunos da Unicamp produzem peça inspirada em sonhos postados em blog

 

Imagem de divulgação do espetáculo

 

Paula Torres

pauladerezende@hotmail.com 

 Sonhos, imagens, interpretação, espetáculo. Foi assim Abri uma porta que até então não estava lá. De repente caí., o espetáculo de dança contemporânea apresentado na Unicamp dias 12, 13,16 e 17 deste mês.

O trabalho foi inspirado em todos os tipos de sonhos, que foram livremente postados por pessoas que tiveram acesso ao blog “Coletando Sonhos”. O blog foi criado para estabelecer interação com quem quisesse compartilhar seus sonhos “Acho muito rico poder trocar informações com pessoas tão diferentes.Também tínhamos o desejo de ir além e ultrapassar nossa própria esfera social”, afirma a integrante do grupo Raiara Raiz.

A peça procurou utilizar da estética surrealista e expressionista alemão para materializar e concretizar a cena. “O surrealismo traz muito as questões de dualidade entre realidade e não-realidade, consciente e inconsciente, e foi a partir daí que recortamos em sonhos, não do ponto de vista da psicanálise, mas da arte surrealista”, diz Raiz.

A escolha do nome da peça, Abri uma porta que até então não estava lá. De repente caí, foi a junção de dois sonhos distintos, o que logo evidencia a arte. “Quanto menos sentido fizer mais interessante fica a proposta”, diz Raiz. 

A montagem do espetáculo começou em março deste ano com pesquisas e em junho deu início aos trabalhos coreográficos da peça. Os figurinos foram escolhidos em tons claros e escuros para que houvesse a contradição para expressar um ar mais denso e leve.

Movimentos corporais lentos ao mesmo tempo rápidos, com total inovação e irreverência, muito diferente do que se é acostumado a assistir. Videodança e objetos cênicos como guarda-chuva, xícara, chave e  nuvem fizeram parte do espetáculo na esfera dos sonhos. “O que mais nos deixou contente é que de alguma forma o espetáculo comunicou com o público, o fizeram vivenciar algum tipo de sentimento ou sensação”, revela Raiz.

Apesar de não quererem passar nenhuma mensagem para o público, pois o papel da arte não possui nenhum objetivo final, é apenas um fim em si mesma, o retorno do público ao dizer que sentiu diversas sensações, provocou efeito de transcendência e complenitude no grupo.

Em quatro apresentações, já foram assistir ao espetáculo em média na Unicamp 240 pessoas e os integrantes do grupo não pensam em parar por aí. “Pretendemos continuar com o grupo e levar o espetáculo a alguns teatros aqui do interior e a São Paulo. Pra isso tentaremos um edital de circulação para conseguir um incentivo por parte das leis de incentivo à cultura”, afirma Raiz.

Aquilo que compartilhamos com nosso consciente se torna uma loucura sã em nosso inconsciente” (Lorca em cara para Buñuel)

Blog – coletando-sonhos.blogspot.com

Concepção, criação e interpretação: Carol Corrêa, Isabela Razera, Mariana Diehl, Pollyana Rodrigues e Raiara Raiz.

Orientação: Ângela Nolf

Assistência Coreográfica: Dora de Andrade

Colaboração: Mariana Baruco

Cenografia e Figurino: Isabela Parrón Mesa e Gabriela Schembeck

Edição Musical: Divan

Iluminação: Carolina Mota

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