Buzine contra a corrupção!

Ocupa Campinas completa uma semana com cerca de sessenta manifestantes em frente à Catedral Metropolitana.

Por Mariana Moura (mariana.mp1@puccampinas.edu.br)

     No último sábado (22), os protestos que vêm fazendo parte do cenário de Campinas completaram uma semana. Trata-se do movimento Ocupa Campinas. Os integrantes ocupam a praça em frente è Catedral Metropolitana de Campinas desde 15 de outubro.

     O movimento foi inspirado no protesto que ocorre em Nova Iorque desde 17 de setembro. Manisfestantes ocuparam a praça em frente ao Wall Street com o objetivo de mudar o pensamento econômico que rege a sociedade. Milhares de pessoas não pretendem sair de lá tão cedo. A partir disso teve origem o movimento Ocupe Wall Street (Occupy Wall Street, em inglês). Assim, ficou marcado para 15 de outubro o dia mundial para que o movimento tomasse conta de praças públicas de cidades de todo o mundo.

     Mas se engana quem pensa que se trata apenas de protestos contra a corrupção. O movimento tem dois principais objetivos: o local, que já foi parcialmente alcançado, com o afastamento do prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra; e o regional, que engloba assuntos que a sociedade brasileira, no geral, já discute, como a destinação de 10% para a educação, que a corrupção passe a ser considerado crime hediondo, a aprovação do Ficha Limpa, o fim da imunidade parlamentar e o fim das reeleições infinita no legislativo.

     Atualmente são cerca de 60 pessoas acampadas em frente à Catedral. Qualquer um pode participar do movimento, desde que seja apartidário (ou que não pretenda levar sua ideologia para o protesto) e abrace a causa. Não há líderes.

     O gestor ambiental Eduardo Cruz explica que no local os protestantes estão divididos em vários grupos, além do OcupaCampinas: os Anarquistas, os Juntos e os Anônimos, grupo mundial que iniciou os protestos em Nova Iorque e que também veio para Campinas e tem como marca registrada a máscara do V de Vingança. Para ele, é importante que as pessoas olhem para trás e enxerguem a origem do problema, e que só assim será possível instaurar um novo sistema.

     Eduardo ainda afirma que para o movimento surtir efeito, o principal é formar pensadores, que vão argumentar contra o sistema atual.  Ele também ressalta que é importante, paralelamente à conscientização do povo, que haja a implantação de formação da opinião pelas academias para existir uma sociedade mais igualitária.

     A psicopedagoga Ana Paula Nunes acredita que essa é uma forma importante de começar a mudar a situação atual. “Como educadora, eu defendo que é pela educação que poderá haver uma melhora no país e pelos protestos que nós vamos conseguir reinvidicar nossos direitos”, afirmou.

     O autônomo Fábio Luciano diz que todos devem fazer a sua parte e agir, e não apenas reclamar sem nada fazer. “Eu trouxe o meu filho para ele ter essa aula de cidadania. Tem que investir mais na educação do povo, porque aí o povo vai saber exigir os direitos que ele tem”, comentou junto ao filho Lucas, de 7 anos.

 Buzine

     O sábado fez com que mais pessoas participassem, mesmo que pouco. Os ativistas foram para o meio das ruas com faixas e cartazes. Sinal fechado, posicionavam-se em frente aos carros. Uma das faixas dizia “Buzine – Mostre sua indignação contra a corrupação”. Semáforo aberto, era hora da população se expressar. E lá estavam as buzinas. Pouco a pouco e esporadicamente, elas foram o único barulho da calmaria de um sábado à tarde.

     Mas nada de bagunça. Diferentemente de outros locais, não houve nenhum problema com a instalação dos acampamentos ou com os protestos. Eduardo afirmou que eles têm uma autorização dos Serviços Técnicos Gerais (SETEC), da Prefeitura Municipal de Campinas, para ficar no local, respeitando os limites. Eles também contam com a ajuda do posto da Polícia Militar, localizado ao lado.

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