Modalidade adaptada

Projetos universitários revelam novos talentos

Fabiana Matsuda (fabiana.matsuda@gmail.com)

A prática de esportes proporciona a interação entre todos os tipos de pessoas, independente do sexo, idade ou até mesmo capacidade física. Projetos desenvolvidos por universidades, como a PUC-Campinas e a Unicamp, são responsáveis por revelar novos talentos em modalidades adaptadas.
De acordo com o coordenador de projeto de extensão da Faculdade de Educação Física, professor José Júlio Gavião, a Unicamp oferece treinos de modalidades individuais ou em grupos. Cerca de 30 atletas participam de esportes adaptados e paraolímpicos, tais como rugby, handebol, bocha, esgrima, vôlei e goalball.
O coordenador Gavião explica que esses projetos de extensão surgiram há mais de 20 anos na universidade e a principal preocupação dos professores era trazer o esporte de forma acessível para diferentes grupos.
“Na Unicamp, os esportes para pessoas com deficiência iniciaram por volta de 1988, 1989, com uma disciplina denominada Educação Física ao Alcance de Todos. Sem que a gente soubesse, apareceram algumas pessoas com deficiência e essas pessoas acabaram chamando outras. Portanto, a prática das modalidades na universidade surgiu de uma mescla entre o desejo da sociedade e essa inquietação dos professores em tentar oferecer algo a mais”, relata Gavião.

Handebol em cadeiras de rodas

Um dos esportes proporcionados pela universidade às pessoas com deficiência física é o handebol em cadeira de rodas. O supervisor de treinos Tiago Borgmann conta que essa é uma modalidade adaptada, na qual a principal diferença com o esporte convencional é que todos os atletas possuem uma classificação funcional, que consiste em deixar o jogo mais equilibrado, já que cada competidor possui uma limitação.
“Além disso, entre as regras do handebol em cadeira de rodas estão a redução da baliza em 40 centímetros, o tamanho da largura do gol é mantido e os jogadores podem exercer diferentes posições. O goleiro, por exemplo, ao mesmo tempo que exerce sua função pode ser atacante também”, afirma Borgmann. O supervisor relata que a rotina de treinos acontece três dias da semana e são divididos em físico, técnico e tático.
Hoje, a equipe é formada por oito atletas, que são de Campinas, Itu, Hortolândia, Sumaré e Valinhos. Um desses esportistas do time de handebol em cadeira de rodas é Alexandre André Cremasco, que já praticou corrida, basquete e tênis.
Para o atleta, o esporte contribuiu para superar dificuldades e, atualmente, não é só fundamental em sua vida, mas também sua verdadeira paixão. “Eu adoro o handebol em vista dos outros esportes que eu já fiz. Porque nesta modalidade você é goleiro, é defensor, é atacante. Faz tudo. Não é como no basquete que o atleta exerce apenas uma função e fica em uma única posição. O handebol é praticamente para tudo. E eu me adaptei bem melhor no handebol e não troco por esporte algum”, conta Cremasco.
O jogador de handebol participou de diversos campeonatos: Paulista, Brasileiro, Sulamericano. Além de títulos nacionais, o time da Unicamp consagrou-se campeão em 2009 no Chile e foi bicampeão sulamericano na Argentina no ano passado.
Cremasco afirma que esses foram os títulos mais importantes. “Para mim o mais marcante foi o primeiro no Chile. Eu nunca tinha saído do país. Conhecer a Argentina também foi uma experiência muito boa”, afirma o atleta.
Além do esporte, Cremasco concilia sua vida com a profissão. “Eu trabalho, sou técnico em ferramentas e motores elétricos a gasolina. Tenho uma oficina em minha casa. Faz vinte anos que eu dei certo com ferramentas e trabalho nessa área”, relata.
O jogador de handebol aconselha as pessoas com deficiência a não pensarem nas limitações e, hoje, tenta convencer outros cadeirantes a praticar alguma modalidade.
Para o supervisor de treinos Tiago Borgmann, o esporte proporciona às pessoas com deficiência uma melhor qualidade de vida, condicionamento físico para desenvolver algumas atividades e tarefas diárias. Oferece também um convívio com pessoas que estão na mesma situação e esse relacionamento contribui para melhorar a autoestima dessas pessoas.

Para saber mais, acesse:

http://www.efadaptada.com.br/

http://www.efadaptada.com.br/hcr/esporte.html

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