Em busca da perfeição

Frequentadores de academias usam suplementos sem indicação médica.

 Por Mariana Moura (mariana.mp1@puccampinas.edu.br)

     O corpo ideal tão almejado pelas pessoas, em sua maioria jovens, pode levar a ingestão inadequada de suplementos alimentares. Isso porque grande parte dos frequentadores de academia inicia o uso desses produtos sem qualquer orientação de um nutricionista ou médico. E é aí que mora o perigo.

     Mas calma, também não vale colocar a substância como vilã. Segundo o professor de Educação Física da Puc-Campinas Alexandre Gomes, o problema está quando a ingestão ocorre em doses erradas, por um tempo além do indicado ou ainda sem haver a necessidade de uso. A maioria dos suplementos alimentares são indicados para atletas com uma carga pesada de treinos, que duram de 7 a 9 horas diárias. Nesses casos, apenas a alimentação não é o suficiente para repor as calorias perdidas e o uso de suplementos ajuda a manter o organismo equilibrado.

     Além disso é exagero, afirmam especialistas. Os danos à saúde, nesses casos, são grandes. Gomes cita alguns dos efeitos colaterais: aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, suor excessivo, falta de dor ou cansaço e insônia sáo alguns dos mais frequentes.

     A nutricionista Daniela Moura diz que antes de iniciar a ingestão de qualquer substância é preciso conhecer a rotina individual de cada pessoa, incluindo hábitos alimentares e o controle dos exercícios físicos. “Não é uma receita de bula, cada paciente tem seu ritmo e isso precisa ser respeitado. A mesma dieta pode surtir um efeito em uma pessoa e descontrolar totalmente o organismo de outra. Começar a ingestão por recomendação de pessoas que tiveram bons resultados não garante nada e pode ser um risco.”

     O estudante Ramon Pissolatti foi um desses. Ele começou a tomar suplementos por conta própria aos 16 anos, quando começou a frequentar uma academia. Pissolatti diz que a maioria das pessoas falava que um nutricionista ou médico não indicaria a dieta correta para o seu caso. “Escutava gente que já fazia academia há muito tempo dizendo que não havia profissional especializado no assunto, que me indicaria uma dieta que na prática não funcionaria. Comecei a tomar por comodismo, para não ter que esperar consulta médica, mesmo”, afirmou. Como resultado, Ramon ganhou alguns quilos que não estavam previstos. 

     O administrador de empresas Fábio Forte é dono de uma loja que vende suplementos alimentares. Ele afirma que é frequente pessoas que compram produtos sem indicação médica. “Ouvimos histórias de pessoas que compram sem ao menos saber o que é, apenas porque ouviram alguém falar. Nós sempre procuramos orientar e reeducar essas pessoas.” Fábio diz que, como o alimento, tudo tem que ser regrado.

     Um dos agravantes é o uso da internet como fonte de pesquisa sobre o assunto. Várias pessoas alegaram que seguiram recomendação de sites de venda para comprar suplementos. Fábio afrima que muitos de seus clientes fizeram isso. As promoções são um atrativo perigoso, muitas vezes não pensado. “Mesmo sabendo que a internet não é confiável, eu pesquisei muito antes de comprar”, afirmou Pissolatti.

     O Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) deixa disponível no site a resolução que dispõe sobre alimentos para atletas. Confira pelo link http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/res0018_27_04_2010.html

Os diversos tipos de suplementos atraem atletas que buscam o corpo ideal

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