Música e adrenalina

Música e adrenalina

Festival de música atrai cerca de 20 mil pessoas ao Playcenter

Mariane Galacini (marianepaps@yahoo.com.br)

Música de qualidade e muita diversão. Essas são as palavras que definem o Planeta Terra Festival, que ocorreu no último sábado, 5 de novembro, em São Paulo. O local escolhido pelo terceiro ano consecutivo para sediar o evento foi o Playcenter, parque de diversões localizado na Marginal Tietê.

A abertura dos portões ao público ocorreu por volta das 13h. O desespero estampado na cara de alguns fãs era notório: enquantos uns corriam em busca de lugares privilegiados para conferir os shows mais perto de seus ídolos, outros lutavam contra o tempo na tentativa de obter um ingresso de última hora, já que essa edição obteve o recorde de ingressos vendidos em apenas 14 horas de venda. Mas, como todo ano de festival, a entrada durante o dia todo foi tranquila, sem filas e muito bem organizada.

Como os primeiros shows só começavam às 16h, com Criolo no Sonora Main Stage e a banda vencedora do concurso Hit BB desse ano, Selvagens à Procura de Lei, no Claro Indie Stage, muitos optaram por aproveitar os brinquedos do parque durante a espera, já que as atrações ficaram a disposição do público durante quase todo festival. Além delas, era possível se entreter com outras atividades preparadas especialmente para o Planeta Terra.

O rapper Criolo deu início a maratona de shows, quando muita gente ainda chegava ao evento. Mesmo com pouco público, conseguiu cativar os que preferiram suas belas e trabalhadas  composições às atrações do próprio parque, seguido pela banda recifense de peso Nação Zumbi, com seu empolgante maracatu. Enquanto isso, no Claro Indie Stage, se apresentavam as bandas The Name e Garotas Suecas, nomes importantes no novo cenário musical brasileiro. Além de bandas nacionais, outros nomes estrangeiros também marcaram presença, em shows muito aguardados como o da banda canadense Broken Social Scene, os britânicos do Goldfrapp com seu ritmo eletrônico, e o indie rock das bandas Interpol e Bombay Bicycle Club, muito bem recebidas pelo público alternativo do festival. Liam Gallagher e outros integrantes do falecido Oasis também marcaram presença no palco, mas com seu novo projeto musical, o Beady Eye.

Porém, o show mais aguardado pelos quase 20 mil presentes foi o da banda nova iorquina The Strokes, que obteve a atenção de quase todo festival. O espetáculo, que começou pouco depois da 1h30 da manhã, como estava previsto, não impediu que os fãs pulassem e cantassem, apesar do cansaço e com toda a voz que restava, seus grandes hits, como “NYC Cops”, “Someday”, “Last Nite”, entre outros, atingindo as expectativas e fechando com chave de ouro o festival, que ainda teve tempo de realizar um pós-show com o duo Groove Armada.

Após as mais de 11 horas seguidas de música e muita diversão com os brinquedos, era possível ver o Espaço Lounge (criado para que o público pudesse descansar entre os shows) ocupado por fãs satisfeitos com o Planeta Terra. “Essa foi a primeira vez que eu fui no Terra e gostei bastante. Principalmente por causa das atrações, mas também por conta da organização e pontualidade. Espero vir nas próximas edições”, conta Fernanda Domiciano. “Eu amo vir ao terra. É o terceiro ano que eu venho, e pra mim é o melhor festival do Brasil, pela organização e conforto, além dos shows, é claro”, acrescenta Karina Pilotto.

“Espero vir nas próximas edições”, afirma Fernanda Domiciano

Com uma grande estrutura e atrações de grande peso da música atual, o Planeta Terra Festival entrou, definivamente, para a lista dos melhores festivais de música no Brasil. Abaixo você pode conferir trechos de alguns shows, além de um vídeo da transmissão online.



Pedaladas sustentáveis

Pedaladas sustentáveis

Banda de Santa Bárbara D’Oeste voltada ao meio ambiente produz a própria energia durante shows

Mariane Galacini (marianepaps@yahoo.com.br)

Imagine um show musical onde o público é que gera a energia que alimenta a iluminação e os equipamentos de som. Achou estranho? Mas é o que acontece nos shows da banda Co2 Zero, de Santa Bárbara D’Oeste, interior de São Paulo. A banda, que tem como tema a educação ambiental, vai além das letras das músicas. Bicicletas ergométricas adaptadas a geradores são utilizadas, com o auxílio da platéia, para a geração da energia do show, transformando energia mecânica em elétrica.

A idéia surgiu em 2007, a partir do baterista da banda, José Carlos Armelin, engenheiro elétrico e professor universitário, que teve a idéia de instalar um gerador elétrico em uma bicicleta, para chamar a atenção dos alunos sobre o tema na época. “Eu vi que isso cativou muito os alunos e prendia muito a atenção deles. Dessa forma eu podia desenvolver temas como a sustentabilidade”, conta.

No show são disponibilizadas quatro bicicletas ao público, que geram, no total, 400 watts por hora, o que é suficiente para a realização do mesmo. Com o auxílio de um monitor, as pessoas pedalam, normalmente, durante cinco minutos. Assim, em um show de uma hora, mais de 30 pessoas chegam a comandar as bikes. “A banda só funciona a partir do público. A gente procura passar para as pessoas que a melhoria ambiental vem a partir de todos”, diz Reginaldo de Oliveira, guitarrista e vocalista da banda.

“A banda só funciona a partir do público. A gente procura passar para as pessoas que a melhoria ambiental vem a partir de todos”, afirma Reginaldo

Segundo Kleber Amedi, químico ambiental e baixista, o objetivo da banda é incentivar e conscientizar – de uma forma mais descontraída – as pessoas com mensagens positivas, mas nunca proibir. “Nosso sonho é tocar em escolas do estado e do Brasil inteiro pra levar a educação ambiental para as crianças e, através disso, estimular a criatividade, cultura, carona solidária, andar de bicicleta e aprender a trabalhar em grupo”, exalta. “Mas a gente nunca esquece também dos adultos, porque se tem algo acontecendo de errado, não são só as crianças que estão errando”, acrescenta Reginaldo.

As músicas, que incluem paródias de outras canções conhecidas, abrangem, além do meio ambiente, temas como educação, cultura, esportes e tecnologia. “Um dos princípios básicos que a gente gosta da banda é reciclar, repensar, reduzir, reaproveitar os materiais. Então tem muita coisa que dá pra usar a criatividade e reaproveitar”, conta Kleber. Esses princípios estão na música “Comece Já!”, que pode ser ouvida abaixo.

A banda, que conta também com o administrador de empresas e guitarrista Maximiliano de Cillo, acredita que, através da música, é possível haver uma mudança na maneira de pensar das pessoas. “A música é capaz de mudar o meio de vida. A banda Co2 Zero tem um jeito diferente de trabalhar, mas outras bandas estão vindo no mundo inteiro cantar sobre meio ambiente e cantar sobre essa mudança. Então se nós estamos cantando agora, é porque futuramente muitas providências irão acontecer pra que nas cidades existam ciclovias, existam parques, muitas árvores. Então a música está somente antecipando isso, e a Co2 Zero se sente no meio dessa mudança, dessa melhoria”, resume Armelin.

Se você se interessou pela banda e sentiu vontade de participar do show, a agenda da banda se encontra no site www.bandaco2zero.com.br, junto com mais informações.