Mais um teatro?

Construção de teatro gera polêmica entre artistas campineiros, que questionam sua necessidade

Carolina Martins

O governo do Estado anunciou a construção de um novo teatro em Campinas, que seria uma réplica do Carlos Gomes, que foi demolido na década de 1960. No entanto os artistas locais são taxativos ao afirmar que um novo teatro não irá resolver os problemas da cidade, dizem ainda que o mais indicado seria dar prioridade as casas de espetáculos campineiras que estão caindo aos pedaços.

Segundo a diretora do Barracão Teatro Tiche Vianna, um grande teatro não será bem usufruído, pois, falta vontade política para promover as manifestações artísticas locais. “Há muitos grupos em Campinas, que contam com uma produção intensa, mas falta incentivo”, afirma Tiche.

Melissa Lopes, atriz do grupo Matula Teatro, considera que a construção de um grande teatro não irá resolver os problemas da cidade em relação à cultura. “Se continuar como está sem incentivo para produções e dificultando a divulgação, o local vai ficar vazio”, afirma Melissa.

A réplica do Carlos Gomes será instalada no parque ecológico Monsenhor Emílio José Salim. Para o governador de São Paulo, um dos principais benefícios desta obra será “a descentralização da cultura”.

Apesar do anúncio da construção do novo teatro, as casas de espetáculo campineiras não estão em bom estado, como por exemplo o teatro Castro Mendes, que está  há um ano e meio em reforma, e a previsão é que seja entregue em janeiro de 2012, porém, as obras deveriam ter sido concluída em outubro deste ano.

 

 

 

 

 

 

 

Tiche Vianna “faltam políticas públicas no meio cultural”

Marcha das Vadias

Marcha das Vadias

Evento  que luta pelo fim da violência contra a mulher reuniu diversos grupos.

Carolina Martins (carol_martins7@hotmail.com)

Cerca de 400 pessoas se reuniram  no último sábado, às 9 horas em Campinas, na frente da Catedral Metropolitana para realizar a Marcha das Vadias, movimento mundial que luta pelo fim de todas as formas de violência contra a mulher. O evento em Campinas reuniu mais pessoas que a marcha de São Paulo, na qual aproximadamente 300 manifestantes protestaram na Avenida Paulista. Segunda a coordenadora da Marcha das Vadias em Campinas, Mariana Cestari, o evento cumpriu com seus objetivos.

A maioria das pessoas que passava pelo Largo da Catedral nunca tinha ouvido falar desta marcha. Apesar disso, muitos manifestam simpatia pela causa, como Abmael de Oliveira, de 26 anos, ele achou a manifestação muito bonita “isso é muito bom, precisa mesmo de um alerta”, diz.

Ativistas preparam os cartazes em frente à Catedral

Carregando cartazes que pediam mais respeito, dignidade, direitos iguais e o fim dos estupros, as mulheres marcharam gritando palavras de ordem como “em briga de marido e mulher meto sim a colher” e “se o papa fosse mulher o aborto seria legal”.

O vestuário é uma marca das Marchas das Vadias, na maioria das edições as mulheres vão com lingerie. Mas, na versão campineira o visual foi bem diversificado. Havia mulheres trajando somente roupas íntimas também, mas outras estavam vestidas de homem e com roupas casuais. Alguns homens apareceram vestidos com roupas de mulher. Cada um encontrou uma forma de protestar.

Diversos grupos compuseram a marcha campineira. Havia representantes de partidos políticos, como PSOL e o PSTU, as Promotoras Legais Populares, que apóiam vítimas de agressão sexual, a ONG Identidade, que luta pela causa LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), o grupo Anarkio, que defende a ideologia anarquista e um grupo intitulado Anônimos.

Marcha na 13 de Maio, em Campinas

Segundo Pedro Oliveira, militante do PSOL, é preciso discutir os direitos femininos e acabar com a desigualdade de gênero. “A realização desta manifestação é fundamental. E a participação da juventude é essencial para a continuidade do projeto”, afirma.

As manifestantes relembraram mulheres que foram mortas ou agredidas por namorados, maridos e amantes. Como Eloá e Elisa Samudio, assassinadas pelos parceiros, em 2008 e 2010 respectivamente.

 

Rafaell Moreira e Luiz Felipe Davanzo, militantes do grupo Identidade, destacaram a importância da luta pela causa feminina, pois, segundo eles “quando um segmento sofre, todos sofrem”.

Rafael Moreira pede igualdade