Verão mais saudável

Preocupação com o corpo aumenta na estação mais quente do ano

Fabiana Matsuda (fabiana.matsuda@gmail.com)

Com a chegada do verão, as pessoas sentem mais disposição para realizar diversas atividades, é o que destaca a educadora física Alessandra Momentel, de 23 anos. É nesta estação que a prática de exercícios físicos ganha um incentivo.

Essa tendência pode ser percebida nas academias, que ficam lotadas, e também nas ruas, já que aumenta o número de adeptos de caminhadas e corridas no final da tarde. “O clima favorável dá mais disposição e ânimo. Além disso, o fato de escurecer mais tarde também contribui”, afirma Alessandra.

Recentemente, a Associação Brasileira de Academias (Acad) divulgou dados, os quais revelam que o número de matrículas em academias de ginástica crescem de 20% a 30% na estação mais quente do ano.

Nesta época, o brasileiro fica mais à vontade para suar a camisa em academias de ginásticas e aumenta a preocupação com o físico. As mulheres desejam perder peso para vestir biquínis e desfilar com um corpo ideal nas praias. Já os homens querem definir a musculatura.

Para a estudante de Direito, Luciana Tebecherani, de 21 anos, a preocupação com o corpo aumenta, sem dúvida, com a chegada do verão. Foi pensando nisso e em garantir um estilo de vida saudável que Luciana começou a frequentar a academia em agosto deste ano. “Corro na esteira por uma hora e, com o incentivo da minha mãe, comecei a participar de corridas em São Paulo. No dia 4 de dezembro, vou correr na maratona de revezamento em Interlagos. A equipe é formada por amigos e familiares, cada um dos participantes corre cinco quilômetros no mínimo”, conta a estudante.

Maria Inês frequenta a academia todos os dias

Por outro lado, há quem não perca o pique quando o assunto é atividade física. A empresária Maria Inês Correia Barbosa, de 54 anos, é um exemplo de que a estação do ano é indiferente.

Há 30 anos a empresária frequenta a academia para fazer musculação e aulas aeróbicas. Além disso, Maria Inês divide seu tempo entre o trabalho, a casa, os filhos e a prática de exercícios. “Eu adoro ir à academia. Faço aulas de RPM Cycling, spinning, jumping, step, yoga, ginástica funcional, bionatural, pilates com bola, balners e alongamento, de segunda a sexta-feira, durante quatro horas por dia.

A disposição surpreende e aliada aos exercícios físicos está a boa alimentação da empresária. “Como muitas verduras, legumes e frutas”, afirma.

Cuidados

O número de alunos nas academias tem aumentado consideravelmente nos últimos anos. Segundo a Acad, 5,4 milhões de pessoas frequentam as academias no país. Esse dado cresceu quase 15% em relação a 2010, quando o número de alunos era cerca de 4,7 milhões.

Por esse motivo, de acordo com a associação, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países que mais possuem academias, com 18.195 empreendimentos, atrás apenas dos Estados Unidos, que somam 29.890.

Alessandra orienta a prática de exercícios

Porém, ao frequentar a academia, as pessoas precisam ter cautela e não podem exagerar. “Sempre devem tomar cuidado com as cargas dos exercícios e não ultrapassar o limite do próprio corpo”, orienta a educadora física Alessandra Momentel.

Além disso, segundo Alessandra, é recomendável que antes de iniciar a prática de atividades físicas, a pessoa passe por um médico para fazer uma avaliação. “Caso exista alguma restrição, o profissional de educação física vai estudar o caso e passar o exercício para ajudar a melhorar a condição física do aluno”, explica.

Para aqueles que pretendem começar ou começaram recentemente a prática de exercícios, a educadora física recomenda sempre procurar um profissional, não ultrapassar o limite do corpo e ter paciência que o resultado aparece.

Do video-game para os centros cirúrgicos

Mariáh Ferrero (mariahferrero@hotmail.com)

Um aparelho até então criado para a diversão ganha uma nova função

O kinect, dispositivo criado pela Microsoft, que ao ser introduzido no videogame XBOX, permite que os amantes da tecnologia joguem somente com os movimentos do próprio corpo, sem controle, já não é mais tão novidade assim. A surpresa é que o dispositivo agora pode ajudar a medicina.

O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), na cidade de Campinas, desenvolveu um software que junto do aparelho Kinect, do videogame, permite que os médicos, durante as cirurgias, mexam nos exames do paciente.

Atualmente, os médicos analisam os exames e radiografias para lembrar dos resultados durante a operação, na intenção de que não haja erros.  “Processo este que dificulta a cirurgia, já que por qualquer deslize, podemos simplesmente não lembrar de alguns detalhes que podem fazer toda a diferença no resultado da cirurgia”, completa o médico colaborador do projeto,  Leonardo Reis.

A questão é que na sala cirúrgica não é permitido o uso de teclado e mouse do computador, já que a equipe médica não pode colocar as mãos em nada que não seja o próprio paciente, e claro, os instrumentos para a operação.

Pensando nisso, os engenheiros do CTI junto do médico urologista da Unicamp, Leonardo Reis, desenvolveram o software para ser usado junto do kinetc. “Além de tudo é gratuito, já que o CTI é do governo federal”, explica o engenheiro Guilherme Ruppert, do CTI. Ou seja, o único custo que os centros cirúrgicos terão é o aparelho, que não passa de 500 reais.

Para o engenheiro, o preço definitivamente não é o problema.  “Toda essa inovação, junto da adaptação de um dispositivo criado apenas para divertir, deve ajudar diversas clínicas, inclusive as públicas”.

O sistema ainda está em período de teste nas cirurgias de urologia no hospital da Unicamp, mas o médico garante: “ainda estamos passando por algumas adaptações, mas o aparelho já ajuda muito nas cirurgias”.

 

Abaixo segue o vídeo do CTI que explica como funciona a novidade:

 

Links:

http://www.cti.gov.br/

 

 

 

Em busca da perfeição

Em busca da perfeição

Frequentadores de academias usam suplementos sem indicação médica.

 Por Mariana Moura (mariana.mp1@puccampinas.edu.br)

     O corpo ideal tão almejado pelas pessoas, em sua maioria jovens, pode levar a ingestão inadequada de suplementos alimentares. Isso porque grande parte dos frequentadores de academia inicia o uso desses produtos sem qualquer orientação de um nutricionista ou médico. E é aí que mora o perigo.

     Mas calma, também não vale colocar a substância como vilã. Segundo o professor de Educação Física da Puc-Campinas Alexandre Gomes, o problema está quando a ingestão ocorre em doses erradas, por um tempo além do indicado ou ainda sem haver a necessidade de uso. A maioria dos suplementos alimentares são indicados para atletas com uma carga pesada de treinos, que duram de 7 a 9 horas diárias. Nesses casos, apenas a alimentação não é o suficiente para repor as calorias perdidas e o uso de suplementos ajuda a manter o organismo equilibrado.

     Além disso é exagero, afirmam especialistas. Os danos à saúde, nesses casos, são grandes. Gomes cita alguns dos efeitos colaterais: aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, suor excessivo, falta de dor ou cansaço e insônia sáo alguns dos mais frequentes.

     A nutricionista Daniela Moura diz que antes de iniciar a ingestão de qualquer substância é preciso conhecer a rotina individual de cada pessoa, incluindo hábitos alimentares e o controle dos exercícios físicos. “Não é uma receita de bula, cada paciente tem seu ritmo e isso precisa ser respeitado. A mesma dieta pode surtir um efeito em uma pessoa e descontrolar totalmente o organismo de outra. Começar a ingestão por recomendação de pessoas que tiveram bons resultados não garante nada e pode ser um risco.”

     O estudante Ramon Pissolatti foi um desses. Ele começou a tomar suplementos por conta própria aos 16 anos, quando começou a frequentar uma academia. Pissolatti diz que a maioria das pessoas falava que um nutricionista ou médico não indicaria a dieta correta para o seu caso. “Escutava gente que já fazia academia há muito tempo dizendo que não havia profissional especializado no assunto, que me indicaria uma dieta que na prática não funcionaria. Comecei a tomar por comodismo, para não ter que esperar consulta médica, mesmo”, afirmou. Como resultado, Ramon ganhou alguns quilos que não estavam previstos. 

     O administrador de empresas Fábio Forte é dono de uma loja que vende suplementos alimentares. Ele afirma que é frequente pessoas que compram produtos sem indicação médica. “Ouvimos histórias de pessoas que compram sem ao menos saber o que é, apenas porque ouviram alguém falar. Nós sempre procuramos orientar e reeducar essas pessoas.” Fábio diz que, como o alimento, tudo tem que ser regrado.

     Um dos agravantes é o uso da internet como fonte de pesquisa sobre o assunto. Várias pessoas alegaram que seguiram recomendação de sites de venda para comprar suplementos. Fábio afrima que muitos de seus clientes fizeram isso. As promoções são um atrativo perigoso, muitas vezes não pensado. “Mesmo sabendo que a internet não é confiável, eu pesquisei muito antes de comprar”, afirmou Pissolatti.

     O Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) deixa disponível no site a resolução que dispõe sobre alimentos para atletas. Confira pelo link http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/res0018_27_04_2010.html

Os diversos tipos de suplementos atraem atletas que buscam o corpo ideal

Vaidade na infância

Vaidade na infância

O uso de produtos de beleza não traz riscos à pele de crianças, mas podem acarretar problemas psicológicos.

Thamires Silva (thamires.tvs@gmail.com)

     Larissa Martins tem apenas 14 anos, mas já cuida da aparência desde os 12. No início acompanhava a mãe ao salão de beleza e logo foi se interessando e quis também fazer as mesmas coisas. Primeiro pediu à mãe para fazer as unhas e, sem seu impedimento, não parou mais de frequentar o cabeleireiro. Já fez mechas e progressivas e não para por aí. Ela, que se considera uma garota bastante vaidosa, faz as unas de dois em dois dias, faz hidratação nos cabelos, se maquia para sair, usa hidratantes, faz sobrancelha e demora bastante para ficar pronta para sair. Larissa ainda revela: quando tinha 12 anos preferia ir ao salão de beleza do que brincar!
     A cabeleireira Vanessa Lopes Barbieri que atende Larissa, revela que o salão recebe várias crianças e adolescentes, e que este é um público em crescimento na área da beleza. Hoje já existem até salões especializados para este público. Segundo Vanessa, as mães sempre acompanham as filhas. “Tem mãe que vai junto, que quer saber como é, se é muito prejudicial, mas na maioria das vezes acabam deixando”, afirma.
     Segundo a dermatologista Christiana Blattner, não há problema em crianças e adolescentes usarem produtos de beleza no corpo ou químicas nos cabelos, como as tão famosas progressivas. Ela revela que o formol presente nos produtos para este tipo de alisamento é uma quantidade muito pequena e não traz riscos. A dermatologista ainda afirma que o uso contínuo de secadores e chapinhas podem ser mais prejudiciais aos fios de cabelo, provocando queda devido o estiramento que provocam nos cabelos e que por isso, às vezes, é preferível o procedimento de progressivas. O cuidado que se deve ter, segundo ela, é quanto a repetição do procedimento, havendo intervalos entre uma química e outra. Quanto a maquiagens e depilações, a médica Christiana também deixa claro que não há problema no uso para essa faixa etária, mas aconselha que para fazer a depilação definitiva, é preciso esperar pelo menos a primeira menstruação das meninas. Para a dra. Christiana, o maior problema dos cuidados da beleza para crianças é o risco de se perder a fase da infância em função da estética.

Larissa Martins escolhe o esmalte da vez

Sobre este ponto, o psicólogo, clínico e psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos Iuri Victor Capelatto, explica que a busca excessiva pela beleza, é um dos fatores que ajudam na diminuição da infância nos tempos modernos. Segundo Capelatto a vaidade pode ser vista por dois aspectos: um bom e outro maléfico. Ele explica que quando a beleza é passada para a criança ou adolescentes como forma de se valorizar e cuidar do corpo com que nasceu, pode ajudar na formação da auto-estima . Mas segundo Capelatto, hoje em dia a vaidade é vista como um exigência sem limites de buscar a perfeição, o que na realidade não exite, fazendo com que as pessoas procurem defeitos que as desvalorizem e pensem que nunca são boas o suficiente, o que gera a insegurança. “Isso traz problemas em diversas esferas, como a retirada da infância e de valores da criança”, afirma Capelatto. Essa retirada de valores das crianças, segundo o psicólogo, pode gerar futuros indivíduos depressivos, psicóticos e mórbidos ou até mesmo crianças sem capacidade de criarem laços afetivos no futuro. “Além disso pode haver a sexualização precoce”, afirma.
     Outro aspecto que ajuda o encurtamento da infância, segundo Capelatto, é quando se exige das crianças atitudes de adultos, principalmente pelos pais. “Estamos também retirando a infância da criança e exigindo que elas se comportem como pequenos adultos o tempo todo.” Mas essa exigência é uma ilusão. Capelatto acredita que na realidade não é que as crianças se tornam maduras mais cedo, mas sim, que têm mais acesso a informações, porém sem capacidade de saber utilizá-las. “Estamos tirando das crianças a possibilidade para que elas possam viver momentos de crianças.”, afirma.

Risada levada a sério

Risada levada a sério

Grupo de artistas se veste de palhaço e vai a hospitais levando o amor e a alegria.

Joceli Godoi

lika_cg@hotmail.com

A medicina do riso deixou de ser uma técnica e passou a ser um estilo de vida para 18 jovens de Campinas e região. Desde 2007 o estudante da Unicamp, Luis Godoy, coordena a ONG Medicina do Riso. Com jalecos e narizes de palhaço, o grupo vai a hospitais, empresas, orfanatos e até mesmo locais públicos, por exemplo, praças.

Dizem que rir é o melhor remédio, porém, Godoy, fundador da ONG, afirma que rir é um bom remédio, mas o melhor mesmo é o amor. É com esse sentimento que ele coordena o grupo, que atualmente firmou uma parceria com uma companhia aérea. Ela banca as viagens do grupo, para que eles não fiquem limitados à região de Campinas, mas ampliem seu trabalho. Até hoje o grupo já viajou para sete estados e inúmeras cidades.

Porém, o grupo não se limita a se vestir de palhaço e fazer graça para os pacientes. Eles também dão palestras, oficinas, conversam com os pacientes sobre o tratamento e como o riso pode ajudá-lo.

O trabalho é simples. A técnica do claw (palhaço) é usada para trabalhar o lúdico na imaginação das pessoas. A máscara, o mais simples possível, apenas o nariz de palhaço. A transformação no ambiente em que o grupo se apresenta é nítida, o palhaço Tonho Labareda conquista qualquer um que se dispõe a entrar na brincadeira.

Luiz explica que a aceitação do público é boa. “Normalmente, seguindo uma média de 10 apresentações, apenas duas a três pessoas aparentam não aprovar o trabalho. Essas são aquelas que acabaram de sair de uma cirurgia mais séria, ou acabaram de receber o diagnóstico e não estão no espírito para brincar.” Godoy explica que o olhar atento de quem entende a brincadeira, faz valer a pena qualquer desaprovação, ou expressão carrancuda. “Uma vez estávamos em um hospital e perguntamos para as crianças o que elas gostariam de ser quando crescessem, muitas falaram médico, jogador de futebol, artista, mas um, de apenas sete anos, disse que depois daquele dia, queria ser palhaço. Isso para a gente é muito válido. É o que importa.”, afirma.

Surge a Medicina do Riso:

A idéia veio depois que Luis Godoy viu um grupo de musicoterapeutas fazendo uma intervenção no Hospital de Clínicas da Unicamp. O trabalho deles não tinha nenhuma base artística, era apenas social. Mas foi a partir dessa apresentação que o estudante teve a idéia de criar um grupo especializado nesse tipo de trabalho, mas utilizando técnicas artísticas. No início foi difícil, todos fizeram cursos para se interarem mais sobre o assunto e se especializarem nas técnicas a serem usadas. Hoje o grupo está mais que bem preparado e já conta com 18 integrantes.

Todos os integrantes, para fazer parte da trupe, precisam se capacitar. Ou seja, têm que fazer cursos, e procurar se aperfeiçoar na técnica artística. “Não é só colocar um nariz de palhaço e sair por aí fazendo brincadeiras com as pessoas. É preciso que cada um saiba o que está fazendo, isso é muito importante, porque nós estamos lidando com pessoas e o que nós dizemos pode mudar o dia dessa pessoa. Pode mudar pra melhor ou pra pior”, afirma Godoy.

Opinião Médica:

O grupo segue uma linha filosófica que estabelece a humanização da medicina. Aproximação entre médicos, pacientes, enfermeiros e até quem vai até lá apenas para uma visita. Segundo o médico anestesiologista, José Amaral Sanches, não são apenas os pacientes que precisam dar risada e precisam usar a medicina do riso para a cura. Os próprios médicos estão doentes e não são apenas os pacientes que precisam de alegria no dia a dia, mas sim toda a equipe que trabalha no cuidado de pessoas.

Além disso, utilizar o humor como forma de tratamento é sim uma ótima opção. “O riso aumenta o fluxo sanguíneo e atua no sistema cardiovascular, baixando a pressão arterial, reduzindo o stress, e diminuindo a dor.” O médico ainda completa dizendo que o riso e previne gripes e resfriados, uma vez que melhora o sistema imunológico do paciente.

Quando o inimigo é você

Conflitos psicológicos podem levar à autossabotagem

Jéssica Momentel (jmomentel@hotmail.com)

Há dois anos, a estudante C.V., de 18 anos, passou por uma fase difícil em sua vida. Após o término do seu primeiro relacionamento, ela desenvolveu problemas alimentares. “Comecei a comer compulsivamente, principalmente doces, e consequentemente engordei 10kg”, conta. A partir daí, C.V. tentou realizar diversos tipos de dietas, mas quando exagerava em alguma refeição não pensava duas vezes antes de tomar uma atitude radical: bastava se sentir culpada para que vomitasse tudo o que havia ingerido. “Fiquei pelo menos seis meses nesta situação. Era bastante difícil. Eu sabia que tudo isso era um princípio de bulimia”, lembra. Vendo que a situação se complicava, com o passar do tempo, C.V. concluiu que não podia continuar desta maneira. “Depois que vomitava me sentia angustiada e ansiosa. Sabia, portanto, que tinha um problema e que precisava resolvê-lo”, completa ela.

A bulimia é um exemplo de autossabotagem, situação na qual a pessoa pode prejudicar a si própria. De acordo com a psicóloga Marilice Franco, o autoboicote é um círculo vicioso – formado pela obsessão, seguida da compulsão, a qual gera culpa, o que leva à formação de uma nova obsessão, iniciando novamente este ciclo.
Para ela, muitas pessoas quando estão de regime sentem vontade, por exemplo, de comer um chocolate. “Existe, porém, várias formas de saciar esta vontade sem prejudicar a dieta. Mas, é aí que começa todo o círculo da autossabotagem: você não se controla e come além do que deveria (obsessão). Em seguida pensa: ‘poxa, não podia ter comido’ (angústia). O sentimento de culpa se torna tão grande que a pessoa se boicota, no caso da bulimia ela sente necessidade de vomitar. E um novo ciclo de angústia e obsessão surge”, explica Marilice.
No entanto, há muitas outras formas de boicote, além da bulimia. No trabalho, por exemplo, você já passou por alguma situação em que deixou de assumir seus compromissos ou atrasou suas tarefas por medo ou insegurança? E quando o assunto é relacionamento, você nunca está satisfeito? Quando encontra a pessoa certa, acredita que você não é o certo para ela ou sempre se relaciona com pessoas parecidas?
A psicóloga afirma que autossabotagem é mais comum do que se imagina entre a população e por isso este assunto merece atenção.
“É como se duas pessoas vivessem dentro de um mesmo corpo, cada uma querendo algo diferente, e ao final vence aquela que tiver mais força. É a eterna luta entre o bem e o mal”, destaca Marilice.
Além disso, a psicóloga alerta que o autoboicote não é algo recente, como muitas pessoas podem imaginar. Em 1916, o criador da psicanálise Sigmund Freud já havia feito um artigo denominado “Os que fracassam ao triunfar”, o qual discute o medo de ser feliz e a autossabotagem.

Causas

O boicote, segundo Marilice, ocorre quando a pessoa está confusa, com medo ou precisa fazer alguma escolha, resolver conflitos e dar um novo rumo a sua vida.

A psicóloga Marilice Franco destaca que a autossabotagem ocorre principalmente quando a pessoa precisa fazer alguma escolha

“Fatores externos e internos influenciam nossas atitudes. Ou seja, agimos por pressão dos que estão em volta de nós e também somos influenciados pelo nosso inconsciente, geralmente formado por situações aprendidas na nossa infância”, diz.
Para exemplificar a psicóloga conta ainda outro caso muito comum de autossabotagem. “Há alguns anos, eu tinha uma paciente que não conseguia passar no vestibular, apesar de toda a dedicação com os estudos. Após algum tempo de tratamento sugeri a ela que prestasse novamente o vestibular, mas sem contar a ninguém. Ela seguiu minhas orientações, mesmo sem entender muito o porquê do sigilo. Após fazer tudo ‘às escondidas’, minha paciente foi aprovada”, relembra.
Marilice explica que, neste caso, sua paciente sofria uma pressão muito forte de sua mãe (fator externo), que queria que ela fosse aprovada em uma universidade, e ao mesmo tempo tinha medo de decepcionar seus pais e os que os outros iriam pensar se novamente ela não passasse no vestibular (fatores internos).
“Trabalhando, portanto, o inconsciente e a ajudando a se livrar das pressões externas, ela conseguiu finalmente ser aprovada e hoje está praticamente se formando”, comemora a psicóloga.
Marilice ressalta, desta forma, que o boicote ocorre também em razão do medo de ser feliz ou de errar. “Algumas pessoas acham que não são merecedoras do que estão vivendo, como se fossem criadas apenas para sofrer. Porém, a única coisa que te impede de ser feliz é você mesma”, declara.
Por isso, de acordo com a psicóloga, a famosa frase: “deixa como está para ver como fica” é ideal para quem se boicota. “Às vezes, a parte de uma pessoa quer realizar o desejo, mas a outra parte não quer ou não deixa. Essa acomodação, geralmente, é o inconsciente”, diz.

Não é doença

Marilice afirma, entretanto, que a autossabotagem não é uma doença. “O boicote não é caracterizado como uma patologia, mas sim, algo do próprio ser humano, que se manifesta principalmente diante de situações que requerem mudanças”, completa.
Portanto, para se livrarem do problema, é indicado que os autossabotadores identifiquem o que realmente querem para a vida.
“Busque dentro de você quais são as suas vontades. O seu desejo tem que ser maior que a pressão e o inconsciente. Não é fácil. É a lei do mais forte”, ensina.
É preciso, por isso, colocar de lado os medos e as angústias. “Acredite em você mesmo e não permita que pensamentos negativos paralisem suas atitudes”, finaliza Marilice.

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Desassossego

Desculpe a poeira

 

Pernas Inquietas

Pernas Inquietas

Presente em 10% da população, Síndrome prejudica o bem estar das pessoas.

Maristela Domingues (maris_domingues3@hotmail.com)

Movimentar as pernas de forma incontrolável, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas um sintoma de ansiedade, da mesma forma que uma noite mal dormida não é necessariamente sinal de insônia. Especialistas alertam que a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) é pouco conhecida entre os brasileiros, mas já faz parte da vida de cerca de 10% da população.

A doença de origem neurológica tem como principal sintoma o desconforto nos membros inferiores, causado por sensações de queimação, coceiras, dolorimento, formigamento e muitas vezes até choques, que se manifestam, principalmente, no final do dia e início da noite, prejudicando o descanso do individuo.

Segundo Tarso Adoni, neurologista do Núcleo de Neurociências do Hospital Sírio-Libanês, a causa da doença ainda é desconhecida, e

Dr. Tarso Adoni

se caracteriza pela necessidade irrefreável da pessoa movimentar as pernas durante a noite, na tentativa de minimizar a sensação de extremo desconforto que ela sente.

“Ainda não sabemos a causa da doença, mas sabemos que existe uma pré-disposição genética, com exemplos de famílias em que a Síndrome das Pernas Inquietas foram identificadas em várias gerações; porém ainda não conseguimos identificar esse componente familiar”.

O neurologista explica ainda que as situações mais prováveis do desencadeamento da Síndrome no individuo podem estar relacionados com a anemia, principalmente pela deficiência de ferro, ou com a polineuropatias, alterações no funcionamento dos nervos dos pés.

A Síndrome das Pernas Inquietas pode acarretar ainda conseqüências físicas e psicológicas por causa de noites mal dormidas, como sonolência diurna excessiva, falta de concentração e irritabilidade. “O que acontece é que a pessoa não consegue dormir adequadamente”, declara Adoni.

Para o médico é importante que as pessoas fiquem atentas aos sintomas da doença, já que existe tratamento e o diagnostico é clínico. Ele esclarece que a ingestão de ferro, exercícios físicos constantes, e medicamentos que contém dopamina, cuja função é regular o desequilíbrio neurológico, auxiliam o tratamento.

Apesar da Síndrome das Pernas Inquietas ser, equivocadamente, identificada como sinônimo de ansiedade, não há nenhuma relação entre elas. Adoni afirma: “A SPI não tem relação alguma com a ansiedade e isso é um grande problema, já que como a pessoa tem a necessidade de movimentar as pernas para diminuir o desconforto, ela é, muitas vezes, taxada como ansiosa”.

O estudante Weslley Souza Santos, há seis meses descobriu que possuía a doença. Ele conta que sempre movimentava excessivamente as pernas quando se deitava, além de sentir um formigamento.

“Eu ia me deitar e sentia desconforto e formigamento na perna, que só aliviava quando eu as balançava. Depois de um tempo, não

Weslley faz tratamento contra a Síndrome das Pernas Inquietas

conseguia mais dormir, pois a sensação é intensamente desagradável e eu tinha que andar e me movimentar.”

Weslley afirma que chegou a pensar em ansiedade e até mesmo em stress, mas o fato de não conseguir dormir pela inquietação das pernas, começou a prejudicá-lo na faculdade, decidindo procurar um especialista, que o diagnosticou como vítima da Síndrome das Pernas Inquietas. “Logo que eu conversei com o médico sobre meus sintomas, ele descobriu a doença. Comecei o tratamento com os medicamentos e atividades físicas há seis meses e já pude perceber melhoras!”.