Perigo na pista

Perigo na pista

Atropelamentos em rodovia causa revolta dos moradores de Monte Mor

Por Vanessa Ribeiro

As más condições rodovia Jornalista Francisco de Aguirra Proença, popularmente conhecido como Campinas-Monte Mor (SP 101), tem sido causa de atropelamentos na região, principalmente em Monte Mor, em que há bairros que ficam ao lado da rodovia, submetendo os pedestres a um deslocamento perigoso, já que não há, sequer, lombadas em alguns pontos de grande fluxo.

O trecho da rodovia SP 101 está em projeto para ser duplicado e melhorar sua infraestrutura. A falta de estrutura da rodovia já causou muitos acidentes devido à grande quantidade de caminhões que gera congestionamento. Os carros e motos que estão submetidos a uma única via competem, ainda, com o tráfego de ônibus que faz o transporte intermunicipal entre Campinas, Hortolândia e Monte Mor.

Um dos fatores que causa acidente é o fato de haver moradias dos dois lados da rodovia e os moradores precisam atravessar se arriscando constantemente. O período de entrada e saída de aula da escola Terezinha do Menino Jesus Calil, no Jardim Paviotti em Monte Mor, coincide com os horários de pico em que o congestionamento e trânsito aumentam significantemente. Isso dificulta a travessia dos pais com crianças para os bairros próximos que se submetem ao perigo da movimentação do tráfego.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Concessionária Rodovias do Tietê, a duplicação da rodovia já está prevista e no momento as obras estão no processo de demarcação topográfica, levantamento de interferências e aguarda a desapropriação das áreas do trevo no quilômetro 13,5 em Hortolândia e a liberação ambiental para que o projeto seja iniciado. A totalidade dos trechos que serão contemplados vai do km 11 ao km 43, ou seja, de Hortolândia até Capivari, passando por Monte Mor. Além disso, serão implantadas 7 passarelas ao longo do trecho. As marginais serão feitas nos trechos que vai do km 11,5 ao 25,8.

Maria Salete, professora há 6 anos em Monte Mor, moradora de Campinas que passa todos os dias pela rodovia, conta que sempre houve acidentes, porém, há negligência tanto por parte dos motoristas, quanto dos pedestres que, segundo a professora, não têm cuidado ao atravessar. “Ninguém tem intenção de atropelar um pedestre, mas muitas vezes nós temos que tomar o dobro de atenção por conta do descuido de muitas pessoas que sai atravessando sem o menor cuidado”, Maria Salete acredita que construindo a passarela não vai resolver o problema de acidentes se não houver conscientização dos pedestres.

Moradores se arriscam enquanto o trânsito dá uma trégua.

O recapeamento da rodovia está previsto em R$ 8,5 milhões, e está registrado no edital de concessão assinado entre a Rodovias Tietê e o Governo do Estado de São Paulo. “O valor a ser investido na SP-101, até o final da concessão, será de R$ 266,5 milhões.” Afirma a Assessora de imprensa Fabiana Sorrilha.

 A moradora do bairro Jardim Paviotti, Mariluce Silva, conta que recentemente houve um acidente na rodovia envolvendo duas vítimas: um motoqueiro e uma pedestre. “O acidente foi fatal, pois a pedestre morreu poucos minutos após o ocorrido. O povo está revoltado, fizeram protesto”, relata a moradora. Segundo Mariluce,

eles estão reivindicando lombadas a curto prazo e a construção de uma passarela, que é o mais apropriado. O acidente ocorreu no trecho em frente ao Jardim Paviotti. A moradora relatou, ainda, que houve um protesto na rodovia com a queima de pneus. As pessoas estavam revoltadas com a recente morte da antiga moradora.

Em resposta a previsão de término das obras, a ARTESP – Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo – responsável pela fiscalização dos serviços prestados pelas concessionárias de rodovias e pelas empresas de transporte intermunicipal de passageiros, afirmou a finalização do Km 11 ao 25 até 2014 e do Km 25 ao 43 até 2019.

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Filhos de estimação

A configuração das famílias está mudando e pessoas tratam seus animais como seres humanos

Jéssica Momentel (jmomentel@hotmail.com)

Os animais de estimação, sejam eles cães, gatos ou até mesmo cavalos, estão cada vez mais “humanos”. Com nomes de gente, usando roupas, jóias, perfumes, recebendo comida especial e sendo tratados como verdadeiros reis e rainhas, eles deixaram de ser os melhores amigos do homem para se transformarem em filhos.

Sim, é como filhos que muitos humanos hoje tratam seus bichos. Eles se tornaram o centro das atenções.           

A psicóloga Marilice Franco explica que a hipótese para este fenômeno é que a configuração da família está mudando. “Com a correria do dia-a-dia, as pessoas se sentem mais sozinhas, por isso passam a considerar o animal como filhos”, comenta. 

Hana, Luana, Zara e Gabi são tratadas como filhas por Fabiana e Sandro

E não precisa procurar muito para encontrar exemplos de humanização dos animais. Na casa da revisora de texto, Fabiana Dias de Palma, de 37 anos, e do engenheiro mecânico, Sandro Palma, de 36 anos, as yorkshires Hana, Luana, Zara e Gabi fazem parte da família. 

 “É como se elas fossem nossas filhas. Às vezes, para chamá-las eu falo: ‘vem com a mamãe’ e minha filhinha Helena, de dois anos, pensa que estou falando com ela e responde”, comenta Fabiana.

A atenção com as yorkshires é tanta que a revisora de texto já fez até festa de aniversário para as cachorrinhas.

“Eu sempre tive vontade de fazer uma festinha para elas, porém nunca tinha tempo. Mas, neste ano deu certo do aniversário da Zara ser em um sábado. Eu e a Helena aproveitamos e fizemos um bolo, colocamos a velinha e cantamos parabéns. Todas as cachorrinhas ficaramem volta. Foibem bacana”, conta Fabiana.

Amor incondicional

A psicóloga Marilice destaca também que a humanização dos bichos ocorre porque as pessoas acham que a interação com os outros seres humanos ficou complexa demais e acabam transferindo esse amor para um animal de estimação.  

A gata Dara e a égua Jade são as paixões de Mariani

A designer Mariani Camargo, de 27 anos, não esconde a paixão que tem por sua gata Dara e pela égua Jade. “Como não tenho muitas

amigas me apeguei a elas”, afirma.

“As trato como seres humanos. Meu carinho é tão grande que, às vezes, me esqueço que elas são animais”, ressalta.

E Mariani completa. “A Jade me ajuda a fugir do estresse, pois pratico hipismo rural com ela. E a Dara é o meu amor, minha paixão. Eu mimo demais ela. Às vezes, minha mãe chega a ter ciúmes da nossa relação”, revela. 

 Relação quase perfeita

Um animal de estimação não reclama se você demora para voltar do trabalho ou de uma festa, muito mesmo critica se você não quer dar uma volta no quarteirão. É por isso que muitas pessoas acreditam que este seja o tipo de relação perfeita.

No entanto, Marilice alerta que quando os bichos são tratados como humanos eles podem perder a referência. “Portanto, o que importa é oferecer o necessário a eles, sempre os tratando com respeito e carinho”.

A psicóloga enfatiza ainda que humanização ao extremo pode ser prejudicial tanto para as pessoas quanto para os bichinhos.

“Muitos seres humanos não sabem, por exemplo, lidar com a morte do seu animal de estimação e isso acaba gerando vários outros problemas, assim como os bichos também sentem a ausência de seus donos quando eles falecem”, finaliza.

Deu branco!

Deu branco!

Carros de cor branca entram na moda e causam maior espera para aquisição.

Beatrice Trochmann – beatricets@hotmail.com   

        A escolha da cor na hora de adquirir um novo carro mudou entre os brasileiros neste ano. Uma nova tendência tem transformado o mercado: o aumento das vendas de veículos superior à R$50 mil e de luxo na cor branca. Essas vendas têm aumentado desde novembro de 2010, como afirma Saulo Fernandes, consultor e gerente de vendas de uma concessionária de carros importados em Americana/SP “Os clientes às vezes abrem mão de um adicional ou de um carro que poderia ser entregue mais rápido, só para garantir o branco.”

            A cor branca agora atende ao público de maior poder aquisitivo, que compra carros de luxo e não se importa com a espera do veículo na cor desejada. Devido a esse aumento de vendas, alguns modelos demoram até três meses para ser entregues. Mas os compradores não reclamam em ter de esperar. Maria Inês Pietrobom ganhou do marido um SUV no seu aniversário em maio, mas retirou o veículo apenas em setembro, já que a cor branca e os adicionais do carro, como parte interna na cor bege, fizeram com que a entrega fosse mais demorada.

            Bruna Nardini, estudante, não teve problema com tempo de entrega, mas adquiriu seu Agile branco na hora certa, já que era o último veículo estocado na loja quando comprou. Se não conseguisse esse, teria de esperar um tempo maior de já que as concessionárias não estão conseguindo suprir a demanda.

            Para solucionar esse problema, algumas concessionárias estão fazendo um pedido maior de carros brancos junto às montadoras e deixando de lado um pouco os tradicionais pretos e pratas. Em uma concessionária multimarca localizada em Campinas, a venda de carros brancos no mês de agosto superou os de cor preta, afirmou Cesar Herrero, gerente de pós vendas.

            Porém, a nova moda não agrada a todos. Mariah Ferrero, estudante, não gosta de carros brancos pois acredita que eles lembram taxis e carros de empresa. “É moda e logo passa”, diz.

            Flavio de Castro, estudante, possuí dois carros brancos atualmente e conta que a escolha não é nova: “Tinha uma época em casa que a garagem de casa só tinha carro branco”. Ele diz que não tem um motivo especial, mas acredita fazem aparecer melhor os detalhes do carro e também retém menos calor.

             Rose May Dodson, aposentada que possui um carro SUV esportivo lançado em 2011, explica o porquê do desejo de um carro na cor branca “Acredito que além de absorver menos calor, é o carro da moda. Já que eu estava trocando meu veículo e sempre tive carros escuros, decidi inovar. Pulei do preto pro branco. Estou adorando, acho lindo e moderno”

Música e adrenalina

Música e adrenalina

Festival de música atrai cerca de 20 mil pessoas ao Playcenter

Mariane Galacini (marianepaps@yahoo.com.br)

Música de qualidade e muita diversão. Essas são as palavras que definem o Planeta Terra Festival, que ocorreu no último sábado, 5 de novembro, em São Paulo. O local escolhido pelo terceiro ano consecutivo para sediar o evento foi o Playcenter, parque de diversões localizado na Marginal Tietê.

A abertura dos portões ao público ocorreu por volta das 13h. O desespero estampado na cara de alguns fãs era notório: enquantos uns corriam em busca de lugares privilegiados para conferir os shows mais perto de seus ídolos, outros lutavam contra o tempo na tentativa de obter um ingresso de última hora, já que essa edição obteve o recorde de ingressos vendidos em apenas 14 horas de venda. Mas, como todo ano de festival, a entrada durante o dia todo foi tranquila, sem filas e muito bem organizada.

Como os primeiros shows só começavam às 16h, com Criolo no Sonora Main Stage e a banda vencedora do concurso Hit BB desse ano, Selvagens à Procura de Lei, no Claro Indie Stage, muitos optaram por aproveitar os brinquedos do parque durante a espera, já que as atrações ficaram a disposição do público durante quase todo festival. Além delas, era possível se entreter com outras atividades preparadas especialmente para o Planeta Terra.

O rapper Criolo deu início a maratona de shows, quando muita gente ainda chegava ao evento. Mesmo com pouco público, conseguiu cativar os que preferiram suas belas e trabalhadas  composições às atrações do próprio parque, seguido pela banda recifense de peso Nação Zumbi, com seu empolgante maracatu. Enquanto isso, no Claro Indie Stage, se apresentavam as bandas The Name e Garotas Suecas, nomes importantes no novo cenário musical brasileiro. Além de bandas nacionais, outros nomes estrangeiros também marcaram presença, em shows muito aguardados como o da banda canadense Broken Social Scene, os britânicos do Goldfrapp com seu ritmo eletrônico, e o indie rock das bandas Interpol e Bombay Bicycle Club, muito bem recebidas pelo público alternativo do festival. Liam Gallagher e outros integrantes do falecido Oasis também marcaram presença no palco, mas com seu novo projeto musical, o Beady Eye.

Porém, o show mais aguardado pelos quase 20 mil presentes foi o da banda nova iorquina The Strokes, que obteve a atenção de quase todo festival. O espetáculo, que começou pouco depois da 1h30 da manhã, como estava previsto, não impediu que os fãs pulassem e cantassem, apesar do cansaço e com toda a voz que restava, seus grandes hits, como “NYC Cops”, “Someday”, “Last Nite”, entre outros, atingindo as expectativas e fechando com chave de ouro o festival, que ainda teve tempo de realizar um pós-show com o duo Groove Armada.

Após as mais de 11 horas seguidas de música e muita diversão com os brinquedos, era possível ver o Espaço Lounge (criado para que o público pudesse descansar entre os shows) ocupado por fãs satisfeitos com o Planeta Terra. “Essa foi a primeira vez que eu fui no Terra e gostei bastante. Principalmente por causa das atrações, mas também por conta da organização e pontualidade. Espero vir nas próximas edições”, conta Fernanda Domiciano. “Eu amo vir ao terra. É o terceiro ano que eu venho, e pra mim é o melhor festival do Brasil, pela organização e conforto, além dos shows, é claro”, acrescenta Karina Pilotto.

“Espero vir nas próximas edições”, afirma Fernanda Domiciano

Com uma grande estrutura e atrações de grande peso da música atual, o Planeta Terra Festival entrou, definivamente, para a lista dos melhores festivais de música no Brasil. Abaixo você pode conferir trechos de alguns shows, além de um vídeo da transmissão online.



Música em branco e preto

Música em branco e preto

Exposição fotográfica traz momentos ímpares de compositores brasileiros

Pedro Paschoetti (pedro.hpn@puc-campinas.edu.br)

Transmitir música através de fotos é o conceito do álbum Imagens Musicais, de Marco Aurélio Olímpio. Lançado em 2010, o livro é fruto de um trabalho de vinte anos e constitui uma coletânea dos melhores cliques do fotógrafo, nesse período. Pela primeira vez as imagens podem ser apreciadas pelo público em exposição que vai até o dia 27 de novembro, no SESC Campinas.

A mostra Imagens Musicais traz Chico Buarque, Naná Vasconcellos, Arnaldo Antunes, dentre outros nomes da MPB todos fotografados em preto e branco.

Em entrevista ao Redator Online, Marco Aurélio Olímpio, revela seu objetivo de captar a alma do artista através do flash e repassá-la fielmente nas fotos. Criado com forte influência de apreciação musical pelos pais, Marco Aurélio explica que a fotografia é o seu modo de envolvimento com a música, apreciando e expressando seu amor a ela através dos cliques.

Marco Aurélio autografa livro em exposição no SESC Campinas.

 
Redator Online: Quando e por que surgiu a ideia de fazer um ensaio com artistas da música popular brasileira?

Marco Aurélio Olímpio: Quando comecei a fotografar, meu tema escolhido foi a música popular brasileira. Isso já data vinte anos. A escolha do tema é decorrente da familiaridade com o assunto. Falar sobre o que se conhece é muito mais coerente e prazeroso. A música tem em minha vida uma importância muito grande e devolver a ela (não que ela necessite disso) algo que imageticamente possa ser edificante, me faz mais feliz.

R. O: Que sensação você tenta transmitir através dessas fotos?

M.A.O: Tento através de minha foto transmitir uma imagem que dignifique o artista. Busco fazer um trabalho fotográfico, acima de tudo e, dentro dessa estética, componho a musicalidade visual de cada artista dentro do meu foco, da minha forma de ver. E como o trabalho é expansivo, espero que quem o veja se sensibilize e se alegre com o que vê.

R.O: A coletânea Imagens Musicais  é o seu maior trabalho fotográfico?

M.A.O: Profissionalmente, sim. São muitos anos vertendo energia em torno de algo que se acredita. Isto tem que ser levado em consideração e respeitado. Constituí o acervo que tenho à custa de muito trabalho, como qualquer especialista em algum tema. Sempre que vejo meus arquivos me emociono por tudo que vi. Não é pouco! E tem muita imagem ainda em silêncio…

R.O: Por que o uso do P/B em todas as fotos? Que ideia você tenta passar com esse recurso? 

M.A.O: Eu nasci em meio à imagem em preto e branco, como por exemplo, a da primeira televisão em minha casa. Não que isso seja um compromisso com o passado, mas um repertório a mais em minha formação. Minhas referências fotográficas sempre foram em preto e branco. As imagens nos discos da coleção da Abril Cultural, nos jornais e em outros veículos vinham dessa forma. O uso que faço do recurso não é fruto de uma subversão em relação ao nosso real, e sim, uma limitação tecnológica, hoje, interessante visualmente. Aprendi a ver em P/B. Ao olhar a cor sei como se apresentará em outro conjunto tonal.

R.O: Qual é a sua foto preferida do ensaio e por quê? 

M.A.O: Várias imagens geradas por seu grau de beleza, de dificuldade ou de percepção as qualificam como principais e preferidas. A do Naná Vasconcelos, da Marisa Monte, do Paulo Braga, do Chico Buarque, do Maurílio (Quinteto em Branco e Preto), enfim, cliques preciosos em momentos únicos que os tornam importantes para mim.

R.O: Tem algum (a) artista que você queria ter fotografado, mas não teve a oportunidade? Quem seria ele (a)?

M.A.O: Sempre manifesto meu desejo maior de fotografar Roberto Carlos. Ele transcende musicalmente e, visualmente, isso é bonito. Quiçá possa lhe roubar a alma em uma imagem e depois devolver numa exposição…

SERVIÇO: Exposição disponível até 27 de novembro, no SESC Campinas. Rua Dom José I, 270, Bonfim, Campinas – São Paulo.  (19) 3737-1500.

Caro pra cachorro

Caro pra cachorro

Treinamento de cães guia ainda é caro no Brasil, o animal adestrado chega a custar R$30mil.

 Joceli Godoi

lika_cg@hotmail.com 

No Brasil existem apenas três instituições que fazem o treinamento de cães guia. Por ano elas só conseguem disponibilizar de15 a17 cachorros, um número muito menor do que o necessário, já que, ao todo, estima-se que a lista de espera para quem precisa desse animal chegue a 4.500 pessoas.

O Hélio Rovay Junior, que treina cães guia há mais de 15 anos na ONG Medição em Campinas, explica que esse problema existe por que não há nenhum incentivo financeiro por parte do governo. Então, as instituições precisam conseguir parceiros que financiem o treinamento desse cão. “Não existe nenhum custo pro deficiente que vai pegar esse cachorro, mas a instituição que treina tem que bancar os gastos com o animal, alimentação, veterinário e etc.” Ele diz também que a escolha do animal a ser treinado é o mais difícil e também é o que mais encarece o treinamento. O cachorro precisa ser ou da raça Labrador ou da raça Golden Retrivier e não pode ser nem muito submisso, nem muito agitado, ou autoritário. O treinamento começa desde os primeiros dias do cachorro. Com apenas 40 dias, ele já passa por uma avaliação psicológica para ver se ele tem o perfil para ser um cão guia. Hélio afirma que nessa seleção, de 30 cachorros, apenas um ou nenhum passa, por isso precisam comprar o cachorro em outro país, o que deixa ainda mais caro o valor.

O treinamento dura cerca de dois anos e nele o cão aprende, através de simulação em ambientes externos e internos, a desviar de móveis, tomar cuidado com tomadas e depois vai para a rua e aprende a desviar de postes, buracos, lombadas, árvores, aprende a atravessar a rua e etc. Depois o animal passa por um período de adaptação com o deficiente visual que foi escolhido para ficar com ele. Esse período dura seis meses e serve para criar uma relação de confiança entre o cão e o cego. Caso não dê certo a identificação, a instituição chama outro deficiente visual para que ele fique com o cachorro, se tiver uma interação melhor.

Hélio conta que o tempo de vida de um cachorro desses é de até 15 anos, mas o tempo de trabalho é diferente. “O cachorro só trabalha até os nove anos, então, se o treinamento dura 2, na verdade o  cão só vai trabalhar como cão guia durante 7 anos” diz.

Existe um projeto estadual para disponibilizar mais cães guia para a população. O governador Geraldo Alckimin anunciou, no dia 20 de abril desse ano, o projeto “Cão Guia” que prevê a construção de um centro de referência no treinamento desses animais. O treinamento vai ser totalmente gratuito em parceria com a USP. O local terá capacidade para treinar 92 cães sem nenhum custo para o deficiente nem para a instituição, que teria a ajuda do governo. Esse centro de referência está orçado em R$ 2,5 milhões, mas ainda não tem data para que seja iniciado.

E enquanto esse projeto não sai do papel, a maior parte das pessoas que tem deficiência visual tem que se adaptar aos ambientes sem a ajuda de um cão guia. O Hélio diz que essa parcela é a maior e também a mais carente. “Quem tem dinheiro vai pro exterior e compra um cão guia. Lá é mais barato do que aqui por que o governo dá apoio para as instituições que treinam os cachorros. Como aqui não tem essa ajuda, a parte pobre da população não tem acesso a esse “luxo”, que na verdade é extremamente necessário para o deficiente visual.”

A diretora da ONG Pró-visão, Cristina Von Zuben, explica que para o deficiente visual o contato com o cão guia é essencial. ”Nós trazemos crianças duas vezes por semana para ter esse contato com o cachorro e para elas é muito importante, por que ganham mais confiança para andar, correr e desviar de obstáculos. O que faz uma grande diferença no dia a dia delas” conta.

Além disso, a diretora também conta que as crianças aprovam a iniciativa porque mesmo que fiquem sem o cachorro durante o restante da semana, ele dá a elas uma noção maior de espaço e auto-confiança.

Do video-game para os centros cirúrgicos

Mariáh Ferrero (mariahferrero@hotmail.com)

Um aparelho até então criado para a diversão ganha uma nova função

O kinect, dispositivo criado pela Microsoft, que ao ser introduzido no videogame XBOX, permite que os amantes da tecnologia joguem somente com os movimentos do próprio corpo, sem controle, já não é mais tão novidade assim. A surpresa é que o dispositivo agora pode ajudar a medicina.

O Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), na cidade de Campinas, desenvolveu um software que junto do aparelho Kinect, do videogame, permite que os médicos, durante as cirurgias, mexam nos exames do paciente.

Atualmente, os médicos analisam os exames e radiografias para lembrar dos resultados durante a operação, na intenção de que não haja erros.  “Processo este que dificulta a cirurgia, já que por qualquer deslize, podemos simplesmente não lembrar de alguns detalhes que podem fazer toda a diferença no resultado da cirurgia”, completa o médico colaborador do projeto,  Leonardo Reis.

A questão é que na sala cirúrgica não é permitido o uso de teclado e mouse do computador, já que a equipe médica não pode colocar as mãos em nada que não seja o próprio paciente, e claro, os instrumentos para a operação.

Pensando nisso, os engenheiros do CTI junto do médico urologista da Unicamp, Leonardo Reis, desenvolveram o software para ser usado junto do kinetc. “Além de tudo é gratuito, já que o CTI é do governo federal”, explica o engenheiro Guilherme Ruppert, do CTI. Ou seja, o único custo que os centros cirúrgicos terão é o aparelho, que não passa de 500 reais.

Para o engenheiro, o preço definitivamente não é o problema.  “Toda essa inovação, junto da adaptação de um dispositivo criado apenas para divertir, deve ajudar diversas clínicas, inclusive as públicas”.

O sistema ainda está em período de teste nas cirurgias de urologia no hospital da Unicamp, mas o médico garante: “ainda estamos passando por algumas adaptações, mas o aparelho já ajuda muito nas cirurgias”.

 

Abaixo segue o vídeo do CTI que explica como funciona a novidade:

 

Links:

http://www.cti.gov.br/